domingo, outubro 10, 2010

Cápitulo 6.

Continuação do Cap.2 narração de Rupert.

- Não Jack, não era um bom momento. - eu respondi agressivo.
- Olha aqui moleque, eu atravesso o atlântico com a melhor pista sobre ela que você poderia encontrar e você vem me dizer que não era um bom momento? Você só pode estar brincando.
- Ok cara, mas você sabe com quem eu estava?
- Quem? - Jack questionou ironicamente com a expressão descrente que tanto me incomodava.
- Holly James! - respondi dando um tapa mais forte do que eu planejei na mesa de plástico do bar. Uns caras que jogavam sinuca se viraram para nos encarar e o barman congelou na ato de limpar um copo. Constrangido, eu continuei sussurrando - Holly James, Jack! A filha do Bill James!
- Você tem certeza que essa Holly é a filha do velho Bill? - ele perguntou, agora cauteloso.
- Sim.
Jack ficou calado por um tempo, com o olhar perdido. Tudo o que eu sabia sobre o velho Bill era que ele tinha sido um dos melhores caçadores de todos, e que morrera por conta de um acordo com Azazel, lhe consedendo sua alma em troca da cura de sua mulher, Meg James.
- Você precisa de aproximar dessa garota, moleque - Jack disse finalmente.
- O que? Mas... Por que?
- Precisamos treiná-la. Quando ela souber quem causou a morte de seu pai, ela vai querer vingança.
- Quem causou a morte? Não foi um acordo com o Azazel? - perguntei confuso.
- Essa é uma história pra outro momento, moleque. - Jack respondeu evasivo se levantando manco da cadeira. - Precisamos agir, vamos moleque.
Apesar de contrariado eu me levantei e o segui. Mesmo sendo um cara de difícil convivência, Jack tinha uma mente brilhante. Ele era tão brilhante que mesmo não tendo mais o movimento perfeito das pernas, ele continuava sendo um ótimo caçador.
Jack não se envolvia, fisicamente, em uma caçada desde que ele e Lita - sua irmã - tiveram certeza que eu estava apto a seguir sozinho. Eu caçava sozinho a 2 anos, mas já vinha assessorando Jack à um bom tempo. A minha primeira caçada foi extremamente excitante, eu voltei para a casa de Jack com os nervos à flor da pele. A sensação de livrar pessoas de um mau que elas desconhecem compensava qualquer perigo.
Glory não aprovava a vida que eu levava, mas ela não podia tentar me afastar pois eu estava lutando por um bem maior, e eu ainda não vingara a morte de meu pai, Carl, já que o maldito Trickster estava vivo. Dizem que só se tornam caçadores aqueles que querem vingar a morte de algum familiar próximo, o que infelizmente, se provara verdade para mim.
Assim que entramos no carro Jack começou a falar.
- Moleque, o que vem pra você hoje não é nada fácil. Mas você não terá que procurar nada, basta ir ao lgar certo e se manter concentrado.
Eu suspirei. Como eu iria me manter concentrado sabendo que hell hounds estariam cercando o tal lugar?
- hell hounds certo? - chequei, já sabendo a resposta.
- Certo. hell hounds no perímetro externo e uma guarda de médio porte de demônios ao redor da fortaleza.
Eu refleti por um tempo, pensando que seria uma grande sorte se eu sobrevivesse aos hell hounds.
- Que arma você me sugere?
- Uma de cano curto. É o suficiente. Talvez uma besta com dardos com ponta de sal.
Eu assenti pensando no quanto a besta atrapalharia a minha agilidade.
- Acho que só uma cano curto, e talvez um pistola silenciadora¹ com balas de sal.
- Rupert - ele disse me olhando com uma ternura quase paternal - é olhando pra você hoje, que eu vejo o quanto valeu a pena ter te acolhido - eu sorri constrangido, em dúvida se ele dissera aquilo porque eu propusera uma arma mais leve e ainda assim igualmente silenciosa quanto a besta, ou porque eu ainda não estava em pânico mesmo estando prestes a enfrentar o que ele passara a vida fugindo.
- Então é a hora. Vai moleque, termina com isso logo. Pegue o que precisar no porta-malas e vá ao lugar que nós falamos. Tem um carro pra você logo ali trás.
Eu saí do carro com minha velha mochila pendurada em meu ombro. Caminhei até o porta-malas, e tirei de lá meu revólver, que eu mesmo construira aos 14 anos. A pistola silenciadora e a munição já estavam na minha mochila quando dei as costas ao carro velho de Jack.
"Só alguns cachorros idiotas e uns demônios pra finalizar. Depois é só pegar a faca do vadia da Ruby e tudo fica bem." pensei enquanto me diriga a um carro que Jack indicara.

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A presença dos hell hounds se tornava mais clara a cada minuto. O ar já estava impregnado com o cheiro nojento da decomposição que exalava dos animais. Eu peguei meu revólver e conferi a munição. Parei o carro em um lugar na estrada onde seria impossível alguém vê-lo. Eu desci do carro com o revolver na mão, e a pistola já com munição escondida pela jaqueta. O primeiro cachorro veio em minha direção, sem hesitar eu atirei. A mancha de sangue que se fez no chão me avisou que eu acertara o alvo. Os minutos que se seguiram foram de um barulho insurdecedor por conta dos tiros. Mas pelas minhas contas, eu tinha acertado todos os cachorros malditos.
Eu fui entrando a pé pela propriedade que parecia uma fazenda. Uma guarda de médio porte equivalia a cerca de 6 ou 7 demônios. E dentro da casa, um sistema de alarmes que dificultaria um pouco o meu roubo. A faca estivera por muito tempo em posse de Ruby, mas agora ela estava sobre o controle de um demônio muito mais importante e poderoso, Crowley. Ele não se arriscara a deixar a faca em sua casa porque sabia que muitos caçadores estavam atrás dela, então ele a colocara em uma fortaleza que ele julgara estar perfeitamente bem protegida.
Em pouco tempo eu pude avistar uns vultos que circulava uma casa pequena de madeira. Com uma agilidade que eu demorara muito tempo para conseguir, eu troquei as armas. Agora a pistola estava em minha mão, e o revólver escondido. Eu me aproximei em silêncio e os tiros recomeçaram. Depois de ter certeza de que estavam todos mortos, eu entrei na casa. A faca estava em um recipiente de vidro no centro da sala. Eu me adiantei para pegá-la, e quando faltava menos de um metro para alcançar o vidro, eu sinto uma lâmina em meu pescoço.
- Olá Mayburn - uma voz sedosa feminina sussurra em meu ouvido - um passo e eu te mato.
- Ruby - eu saudei com a respiração difícil - Você está do lado errado Ruby, e você sabe disso. Eu preciso dessa faca por uma razão que irá beneficiar a nós dois.
- E como eu vou confiar em você? Jack já me passou a perna algumas vezes.
- Eu não sou como Jack, eu mantenho minha palavra. E mesmo se não o fizesse, não existe como eu prejudicar você Ruby.
Ela hesitou e eu senti a lâmina afrouxar um pouco. Era somente desse momento de hesitação que eu precisava. Eu me virei pra ela, fazendo com que a lâmina ficasse em minha nuca, não mais em meu pescoço. Eu sorri um pouco enquanto apontava a pistola para sua barriga.
- Vamos trabalhar juntos um pouco e todos saem bem - eu propûs com um sorriso ainda brincando em meus lábios. Ela sorriu com a sobrancelha erguida.
- Eu deixo você levar a faca, e você não me mata? Não me parece justo.
Eu apertei a arma com mais força, o sorriso sumindo de meu rosto.
- Vamos lá Ruby, não me faça fazer isso.
Ela suspirou com impaciência e se afastou de mim. Eu peguei a lâmina tosca improvisada de sua mão, e caminhei em direção a redoma de vidro. Peguei a faca lá de dentro e a guardei em segurança em minha jaqueta. Ao sair, mandei um beijo cínico para Ruby que me observava sair.

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Eu corria pela estrada cercada por altas árvores em direção ao carro. Um último hell hound sobrevivera e agora me perseguia. Um grito escapou de meus lábios quando senti dentes cortarem minha mão. Eu caí, impedido de continuar por causa da dor. Foi com muito esforço que conseguia me levantar, e atirar no animal . Eu estava perdendo muito sangue, e não sabia o que fazer. Corri em direção ao carro e quando entrei, Ruby estava lá dentro.
- Menino idiota, olhe só a sua mão.
E antes que eu pudesse responder, ela já estava estancando o sangue com um pedaço de sua pópria blusa. Eu olhei pra ela incrédulo.
- Já avisei a Jack que você foi ferido, ele já está na casa de Glory te esperando para cuidar disso. Me agradeça depois, eu tenho que ir.
E antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ela já não estava mais lá. Eu liguei o carro e dirigindo devagar eu segui para a pousada.

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¹ Na verdade, as pistolas silenciadas não apresentam uma diferença significativa de som, mas ainda assim. Vamos fingir que o barulho alto de um tiro é minimizado a um silvo baixo. N.A.

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