Nameless
By moving to London, Holly James embarks on a world of secrets and revenge, where love and loyalty are essential to her survival
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Epílogo.
Um milhão de coisas passavam pela minha mente. Saber que pelo menos isso estava finalmente acabado me deixava tranquila. Eu cumprira minha primeira missão. Rupert estava morto, e o demônio que o possuíra, Derick, tinha voltado para o inferno de onde ele jamais deveria ter saído. Dean e Sam partiriam na manhã seguinte, e não duvido que eu volte a vê-los antes mesmo de dar tempo para saudades. Jack e Lita estavam orgulhosos de mim, e me convidaram a ficar pelo tempo que eu quisesse. Mas eu já fizera minhas primeiras aquisições com o dinheiro deixado por meu pai e estava com as malas prontas. Depois de comprar minha própria casa em Nova York, meu carro - um Lamborghini LP 670-4 cv - e completar minha biblioteca e arsenal, eu estava pronta para seguir sozinha. Eu vingaria a morte de Bill, salvaria pessoas e acabaria com Crowley.
Cápitulo 15.
As luzes se apagaram de repente me sobressaltando, um barulho vindo da cozinha chamou minha atenção. Eu estava sozinha, os Winchester e os Kimpler haviam ido pra cidade comprar as coisas que supostamente nós usaríamos hoje. Rupert entrou na sala de estar com um sorriso zombeteiro em seu rosto. Eu o olhei se aproximar de mim sem nenhum tipo de apreensão, até que ele parou de caminhar com uma expressão confusa. O pentáculo desenhado no teto por Dean o impedia de continuar.
- Você achou mesmo que seria fácil? Chegaria aqui e me mataria? Simples assim?
- Vai ser fácil, eu cheguei e vou te matar.
- Não você não vai. Já que estamos aqui e você não tem pra onde ir, vamos conversar um pouco.
- Conversar? Acho que não...
Eu puxei um saco de trás do sofá com os olhos brilhando, triunfante.
- O que é isso? - ele perguntou rudemente.
- Você. Derick Johnson Schreuder III, nascido na Pensilvânia em 1756 e morto em 1823. Enterrado no cemitério local.
- O que? Você... Como...
- Como eu descobri seu nome? Sua amiguinha Ruby.
- Ruby? Ela não faria isso.
- Parece que fez. Já ouviu falar de Bobby Singer? Ele tem métodos de persuasão bem eficientes. Como eu dizia, vamos conversar.
- O que você quer saber?
- Desde quando você está no corpo de Rupert?
- Desde o dia do seu aniversário. Não se lembra que ele se atrasou?
- Desde o dia do meu aniversário... - repeti silenciosamente, com o remorso ardente em minha mente.
- O que mais quer saber?
- Quem está no comando disso?
- Você realmente acha que eu iria traí-lo?
Eu não respondi, apenas acendi o lança chamas sobre o saco de tecido onde se encontrava os restos de Derick. Ele entrou em chamas por um momento, seus gritos de agonia enxendo a sala, até que eu apaguei o lança chamas.
- O que você dizia?
- Não adianta, pode me matar, mas eu sou tão burro assim.
Ameacei acender o lança chamas novamente.
- Não! Ok, ok! É o Crowley! É o Crowley!
- Crowley?
- Você nem deve saber quem é Crowley não é? - ele provocou com uma risada desdenhosa. Foi quando eu percebi que aquela era a hora. Acendi o lança chamas sobre o saco de tecido, e assisti Derick e Rupert partirem. Minha conciência doía ao pensar que tinha tirado a vida de Rupert, mas isso fora necessário. E era com essa certeza que eu tinha que lidar. Muitas vezes não seria a opção certa que eu deveria fazer, mas sim a necessária.
- Você achou mesmo que seria fácil? Chegaria aqui e me mataria? Simples assim?
- Vai ser fácil, eu cheguei e vou te matar.
- Não você não vai. Já que estamos aqui e você não tem pra onde ir, vamos conversar um pouco.
- Conversar? Acho que não...
Eu puxei um saco de trás do sofá com os olhos brilhando, triunfante.
- O que é isso? - ele perguntou rudemente.
- Você. Derick Johnson Schreuder III, nascido na Pensilvânia em 1756 e morto em 1823. Enterrado no cemitério local.
- O que? Você... Como...
- Como eu descobri seu nome? Sua amiguinha Ruby.
- Ruby? Ela não faria isso.
- Parece que fez. Já ouviu falar de Bobby Singer? Ele tem métodos de persuasão bem eficientes. Como eu dizia, vamos conversar.
- O que você quer saber?
- Desde quando você está no corpo de Rupert?
- Desde o dia do seu aniversário. Não se lembra que ele se atrasou?
- Desde o dia do meu aniversário... - repeti silenciosamente, com o remorso ardente em minha mente.
- O que mais quer saber?
- Quem está no comando disso?
- Você realmente acha que eu iria traí-lo?
Eu não respondi, apenas acendi o lança chamas sobre o saco de tecido onde se encontrava os restos de Derick. Ele entrou em chamas por um momento, seus gritos de agonia enxendo a sala, até que eu apaguei o lança chamas.
- O que você dizia?
- Não adianta, pode me matar, mas eu sou tão burro assim.
Ameacei acender o lança chamas novamente.
- Não! Ok, ok! É o Crowley! É o Crowley!
- Crowley?
- Você nem deve saber quem é Crowley não é? - ele provocou com uma risada desdenhosa. Foi quando eu percebi que aquela era a hora. Acendi o lança chamas sobre o saco de tecido, e assisti Derick e Rupert partirem. Minha conciência doía ao pensar que tinha tirado a vida de Rupert, mas isso fora necessário. E era com essa certeza que eu tinha que lidar. Muitas vezes não seria a opção certa que eu deveria fazer, mas sim a necessária.
domingo, janeiro 02, 2011
Capítulo 14.
Rupert
- E aí, o que eles estão falando? - perguntei num sussurro.
- Merda, eles descobriram. Você é um incompetente mesmo Derick, está vendo o que fez?
- Você está ficando louca Ruby? O que eu fiz?
- Você se entregou! Você não sabia que esse panaca do Rupert era um garoto bonzinho? Como você ousa falar daquele jeito com a idiota James?
- Eu... Eu não pensei nisso... Mas ela é detestável, o que você queria que eu fizesse?
- Se controlasse seu demoniozinho amador! Maldita hora que o Crowley me botou pra trabalhar com gentinha como você. Ele vai ficar furioso, você sabe disso não sabe?
- Calada, sua vadiazinha. Olhe bem como você fala comigo, não vou aguentar seus desaforos não. E o que diabos vamos fazer agora?
- Vamos fazer ela matar o Rupert.
- O que? E eu?
- Você vai fazer exatamente o que eu mandar.
------------------
Holly
Uma coisa estava perfeitamente clara para mim agora, a hora de mostrar que eu não era só uma garota indefesa que carregava o nome do pai como um manto real era essa. Eu mataria Rupert se isso fosse necessário. Claro que se eu iria ficar feliz se eu pudesse simplesmente exorcizá-lo, mas eu já tinha entendido: as coisas nunca saem como planejado, e é preciso estar preparado para todo tipo de imprevisto. Dean entrou na cozinha com um sorriso lindo estampando-lhe o rosto.
- Qual é Holly, não vai mais sair da cozinha?
- Eu não quero cruzar com o Rupert. Quando ele subir eu saio. - eu respondi sorrindo - Você pode ficar aqui comigo, se quiser.
- Um convite quase irrecusável, mas estamos revendo umas coisas importantes na sala.
Eu sorri e dei de ombros, me virando para o fogão a tempo de desligar o fogo para que a água que fervia não molhasse tudo.
- Sabe, eu nunca te vi atirar.
- É, não existe mais niguém vivo que tenha presenciado um treino meu.
- Holly - ele disse segurando meu rosto - o que está acontecendo?
- Nada...
- Você não está preocupada com o lance do Rupert está?
- Como não estaria Dean?
Ele se afastou e sentou-se a mesa ficando calado me observando com uma cara estranha, até que de repente pegou meu diário que estava ali em cima. Há anos eu não escrevia ali, mas agora que já não tinha ninguém para conversar, foi o jeito que eu achei para aliviar a pressão. Eu escrevera sobre meus sentimentos em relação a Rupert e o aperto que me dava no coração ao lembrar que talvez nem fosse o Rupert de verdade o garoto que me ajudou tanto em Londres; sobre as minhas angústias decorrentes da perda de Vince; sobre Dean e a noite em que nos conhecemos e até sobre Sam.
- Solta isso. Agora.
- Hmm, acho que não. - ele respondeu um sorriso maldoso se espalhando em seu rosto, enquanto ia abrindo o diário.
- Não! Solta essa droga Winchester! - eu gritei me atirando pra cima dele para pegar o diário.
Ele saiu correndo da cozinha com meu diário nas mãos e eu disparei atrás dele. Antes que eu percebesse, eu estava rindo, me divertindo como não fazia há dias.
- Devolve Dean! É sério! Para de ser infantil!
- Ok, eu paro, eu paro... Mas você vai me deixar ler.
- Não! Não faz isso!
- Então tem coisas sobre mim escritas aqui?
- Sobre você? É claro que não! Você acha que é importante a ponto de estar no meu diário? - zombei nervosa.
- Depois daquela nossa noite, é claro que eu sou importante pra estar aqui. Até imagino o que você escreveu sobre mim... - ele respondeu rindo abrindo o diário.
Eu não consegui fazer nada, ele já estava lendo e sua expressão mudou rapidamente. O sarcásmo que estava em seu rosto foi se mesclando devagar com a concentração, como se estivesse dificl entender minhas palavras. Eu queria saber em que página ele tinha aberto, qual dos meus segredos mais intimos ele estava desvendando.
- Eu... Eu não sabia que era tão difícil pra você... Eu... Me desculpe Holly... - ele disse com uma hesitação que não lhe pertencia.
- Ahn? Sobre o que você está falando mesmo? - perguntei confusa.
- Rupert.
De tudo que estava escrito, de tudo que ele tinha pra ler, ele tinha que ter aberto naquela página. Acho que eu preferia se ele tivesse aberto na parte em que eu falava dele, e até mesmo na parte que eu comentava o quanto Sam era incrivel, com aqueles ombros largos, aquele sorriso gentil. Mas não. Ele abrira na página em que eu abria meu coração, todo o meu sentimento sobre Rupert, e toda a angústia que me inundava ao saber que ele estava maculado por aqueles malditos demônios, que a sua beleza angelical não seria a mesma a meus olhos sabendo que a expressão em seu rosto não era aquela que me apetecia.
---------------------
- Anda, atira na garrafa.
- Dean, isso é ricidulo.
- Atira.
Eu suspirei e mirei. Um sentimento que parecia estar dentro de mim há anos, só esperando o momento certo, despertou. Eu acertei não só a garrafa que ele tinha botada como alvo, como todos os pássaros que estavam sobre os fios da energia. Sam me olhava com uma expressão incrédula, assim como Jack e os outros presentes.
- Pensei que tinha dito não saber atirar.
- Bom, eu disse que há muito tempo eu não o fazia, não que eu não sabia.
- Porra, pensei que ia ter que te ensinar a destravar a arma.
Eu sorri e devolvi a arma satisfeita. Definitivamente eu era Holly James, filha de Bill James.
- E aí, o que eles estão falando? - perguntei num sussurro.
- Merda, eles descobriram. Você é um incompetente mesmo Derick, está vendo o que fez?
- Você está ficando louca Ruby? O que eu fiz?
- Você se entregou! Você não sabia que esse panaca do Rupert era um garoto bonzinho? Como você ousa falar daquele jeito com a idiota James?
- Eu... Eu não pensei nisso... Mas ela é detestável, o que você queria que eu fizesse?
- Se controlasse seu demoniozinho amador! Maldita hora que o Crowley me botou pra trabalhar com gentinha como você. Ele vai ficar furioso, você sabe disso não sabe?
- Calada, sua vadiazinha. Olhe bem como você fala comigo, não vou aguentar seus desaforos não. E o que diabos vamos fazer agora?
- Vamos fazer ela matar o Rupert.
- O que? E eu?
- Você vai fazer exatamente o que eu mandar.
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Holly
Uma coisa estava perfeitamente clara para mim agora, a hora de mostrar que eu não era só uma garota indefesa que carregava o nome do pai como um manto real era essa. Eu mataria Rupert se isso fosse necessário. Claro que se eu iria ficar feliz se eu pudesse simplesmente exorcizá-lo, mas eu já tinha entendido: as coisas nunca saem como planejado, e é preciso estar preparado para todo tipo de imprevisto. Dean entrou na cozinha com um sorriso lindo estampando-lhe o rosto.
- Qual é Holly, não vai mais sair da cozinha?
- Eu não quero cruzar com o Rupert. Quando ele subir eu saio. - eu respondi sorrindo - Você pode ficar aqui comigo, se quiser.
- Um convite quase irrecusável, mas estamos revendo umas coisas importantes na sala.
Eu sorri e dei de ombros, me virando para o fogão a tempo de desligar o fogo para que a água que fervia não molhasse tudo.
- Sabe, eu nunca te vi atirar.
- É, não existe mais niguém vivo que tenha presenciado um treino meu.
- Holly - ele disse segurando meu rosto - o que está acontecendo?
- Nada...
- Você não está preocupada com o lance do Rupert está?
- Como não estaria Dean?
Ele se afastou e sentou-se a mesa ficando calado me observando com uma cara estranha, até que de repente pegou meu diário que estava ali em cima. Há anos eu não escrevia ali, mas agora que já não tinha ninguém para conversar, foi o jeito que eu achei para aliviar a pressão. Eu escrevera sobre meus sentimentos em relação a Rupert e o aperto que me dava no coração ao lembrar que talvez nem fosse o Rupert de verdade o garoto que me ajudou tanto em Londres; sobre as minhas angústias decorrentes da perda de Vince; sobre Dean e a noite em que nos conhecemos e até sobre Sam.
- Solta isso. Agora.
- Hmm, acho que não. - ele respondeu um sorriso maldoso se espalhando em seu rosto, enquanto ia abrindo o diário.
- Não! Solta essa droga Winchester! - eu gritei me atirando pra cima dele para pegar o diário.
Ele saiu correndo da cozinha com meu diário nas mãos e eu disparei atrás dele. Antes que eu percebesse, eu estava rindo, me divertindo como não fazia há dias.
- Devolve Dean! É sério! Para de ser infantil!
- Ok, eu paro, eu paro... Mas você vai me deixar ler.
- Não! Não faz isso!
- Então tem coisas sobre mim escritas aqui?
- Sobre você? É claro que não! Você acha que é importante a ponto de estar no meu diário? - zombei nervosa.
- Depois daquela nossa noite, é claro que eu sou importante pra estar aqui. Até imagino o que você escreveu sobre mim... - ele respondeu rindo abrindo o diário.
Eu não consegui fazer nada, ele já estava lendo e sua expressão mudou rapidamente. O sarcásmo que estava em seu rosto foi se mesclando devagar com a concentração, como se estivesse dificl entender minhas palavras. Eu queria saber em que página ele tinha aberto, qual dos meus segredos mais intimos ele estava desvendando.
- Eu... Eu não sabia que era tão difícil pra você... Eu... Me desculpe Holly... - ele disse com uma hesitação que não lhe pertencia.
- Ahn? Sobre o que você está falando mesmo? - perguntei confusa.
- Rupert.
De tudo que estava escrito, de tudo que ele tinha pra ler, ele tinha que ter aberto naquela página. Acho que eu preferia se ele tivesse aberto na parte em que eu falava dele, e até mesmo na parte que eu comentava o quanto Sam era incrivel, com aqueles ombros largos, aquele sorriso gentil. Mas não. Ele abrira na página em que eu abria meu coração, todo o meu sentimento sobre Rupert, e toda a angústia que me inundava ao saber que ele estava maculado por aqueles malditos demônios, que a sua beleza angelical não seria a mesma a meus olhos sabendo que a expressão em seu rosto não era aquela que me apetecia.
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- Anda, atira na garrafa.
- Dean, isso é ricidulo.
- Atira.
Eu suspirei e mirei. Um sentimento que parecia estar dentro de mim há anos, só esperando o momento certo, despertou. Eu acertei não só a garrafa que ele tinha botada como alvo, como todos os pássaros que estavam sobre os fios da energia. Sam me olhava com uma expressão incrédula, assim como Jack e os outros presentes.
- Pensei que tinha dito não saber atirar.
- Bom, eu disse que há muito tempo eu não o fazia, não que eu não sabia.
- Porra, pensei que ia ter que te ensinar a destravar a arma.
Eu sorri e devolvi a arma satisfeita. Definitivamente eu era Holly James, filha de Bill James.
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Cápitulo 13.
- Sabe - Dean começou a falar enquanto eu acendia um cigarro - eu acho que tem alguma coisa muito errada com o Rupert.
- Como assim?
- Ele não era do jeito que ele agiu ontem. Ele era um bom garoto sabe?
- É, ele não tem sido um bom garoto. Não mesmo.
- Eu sei, e isso está me deixando muito preocupado. E se ele tiver sido possuído? E se ele for um metamorfo e não o Rupert de verdade?
- Mas será que Jack não teria desconfiado?
- Jack já foi um ótimo caçador, mas está velho, isso não se pode negar.
- Bom, então que tal conversarmos com Jack a respeito disso?
- Faremos isso hoje. Mas antes - ele disse caminhando em minha direção e me abraçando pela cintura - você se importaria de ir buscar o me irmãozinho no aeroporto comigo?
- Claro que não, até porque eu não tenho muita escolha - eu respondi rindo e passando meus braços pelo seu pescoço - Qual o nome do seu irmãozinho mesmo?
- Sam. Daí assim que buscarmos ele, nós vamos até a casa do Jack. Está bom pra você?
***
Estar em um aeroporto me lembrava horrivelmente a perda de Vince, e Dean não demorou a perceber que eu estava desconfortável ali.
- O que houve? Você está pálida Holly...
- Ah, nada, não é nada. Você se importa se eu for tomar um café enquanto você espera o seu irmão?
- Não, eu fico aqui. Aliás, quer que eu vá com você?
- Não precisa, eu tenho que pensar um pouco... - eu me aproximei para um beijo rápido antes de sair caminhando dentre a bagunça do aeroporto.
Eu me lembrava de Vince com tanta clareza que ainda não conseguia assimilar a sua morte. Ele me defenderia de Rupert, cuidaria de mim como se eu fosse uma criança, porque era o que ele fazia melhor, cuidar de mim, me afastar de confusão. Meu celular vibrou no bolso da calça despertando-me de meus devaneios.
- Fala.
- Filha? Tá me ouvindo?
- Mãe! Claro que eu to te ouvindo, para de gritar!
- Ah minha filha, eu estava tão preocupada, e estou com tantas saudades! Como você está meu amor?
- Eu to bem mãe. Olha, eu tenho que desligar, mas eu te ligo mais tarde, pode ser?
- Mas por que já vai desligar?
- Depois eu te ligo, beijos e se cuida viu? - eu me despedi apressada ao ver que Dean se aproximava. Um cara alto, com ombros largos e os mesmos olhos de Dean caminhava atrás dele. "Deve ser o Sam" eu pensei.
- Hey eu sou Holly James, muito prazer - eu cumprimentei estendendo a mão quando eles chegaram a minha mesa.
- Sam Winchester - ele respondeu ao apertar minha mão.
- Então querem comer alguma coisa ou a gente já pode ir?
- Por mim podemos ir - eu respondi me levantando.
- É, podemos ir.
***
No carro Dean expôs a situação a Sam em detalhes, como Rupert tinha me tratado de modo estranho no Harvelle's e como eu tinha reagido. Sam não teve nenhum dúvida de que algo estava realmente errado com Rupert ao ouvir meu relato sobre nossa discussão na casa de Jack. Ele confirmou o que Dean tinha dito mais cedo, sobre Rupert ser um bom garoto.
- Espera, você disse que se chamava Holly James certo? - Sam perguntou de repente.
- Ah, sim. Por que?
- Você é a filha do Bill?
- Ah, suponho que sim.
- Dean, não é possível que você seja tão idiota assim.
- Do que você está... Filho da puta! Como eu não pensei nisso?
- Será que alguém pode me explicar o que diabos está acontecendo?
- Papai disse pra tomarmos cuidado e você...
- Tá, já entendi! Não precisa ficar me dando bronca não ok?
- Hey! Calem a boca! Dá pra me explicar o que tá acontecendo? - eu gritei exasperada.
Os dois me olharam assustados, e Sam começou a me explicar. Pelo que eu entendi, tinha alguém caçando filhos de caçadores, e eu estava na lista das presas mais fáceis, já que, supostamente, eu não sabia me defender. "Eles" - quem estava por trás disso - botaram um demônio pra me vigiar: Rupert. Claro que tudo isso eram só hipóteses, talvez Rupert fosse simplesmente um filho da puta.
***
-Já vai! - ouvimos a voz de Lita de dentro da casa. - Olha quem apareceu! Dean Winchester! Meu deus, como você cresceu Sam!
- E aí Lita, a trouxe de volta - Dean disse apontando pra mim.
- Holly, Holly, Holly... Rupert está furioso com você. Nunca vi aquele rapaz desse jeito.
- Bom, sobre isso temos muito coisa pra conversar. Jack está aí? - Sam interviu.
- Sim, está na sala de estar. Podem entrar rapazes.
A casa de Jack estava mais sombria hoje, as janelas todas fechadas, apenas algumas velas esporádicas ao longo do corredor. Dean segurou minha mão quando Rupert desceu a escada e me olhou com uma expressão de desprezo. Ele passou em direção a cozinha se dirigir a nós mais do que um olhar de profunda aversão. Continuamos andando até a porta indicada por Lita como sendo a sala de estar.
- Jack? Os meninos Winchesters estão aqui para vê-lo. - Lita anunciou ranzinza.
- Dean. Sam. Entrem e fechem a porta. Não quero essa velha enxerida escutando nossa conversa.
- Jack, me desculpe mas eu acho importante que a Lita ouça o que temos a dizer - eu argumentei baixinho, no fundo torcendo para que ele não me ouvisse.
- Você chegou Holly. Não tinha te visto por detrás desses dois. Está bem então, mas fechem a porta assim mesmo.
Sam começou a falar, e contou tudo que nós havíamos contado para ele no carro, e toda a história caçada aos filhos de caçadores, a suspeita de que Rupert estaria possuído e tudo o mais. Jack se sentiu ofendido dizendo que obviamente já o havia testado, mas Lita achou bem plausível a nossa história. Só tínhamos uma escolha: Matá-lo antes que ele me matasse. E eu era quem devia fazer isso.
- Como assim?
- Ele não era do jeito que ele agiu ontem. Ele era um bom garoto sabe?
- É, ele não tem sido um bom garoto. Não mesmo.
- Eu sei, e isso está me deixando muito preocupado. E se ele tiver sido possuído? E se ele for um metamorfo e não o Rupert de verdade?
- Mas será que Jack não teria desconfiado?
- Jack já foi um ótimo caçador, mas está velho, isso não se pode negar.
- Bom, então que tal conversarmos com Jack a respeito disso?
- Faremos isso hoje. Mas antes - ele disse caminhando em minha direção e me abraçando pela cintura - você se importaria de ir buscar o me irmãozinho no aeroporto comigo?
- Claro que não, até porque eu não tenho muita escolha - eu respondi rindo e passando meus braços pelo seu pescoço - Qual o nome do seu irmãozinho mesmo?
- Sam. Daí assim que buscarmos ele, nós vamos até a casa do Jack. Está bom pra você?
***
Estar em um aeroporto me lembrava horrivelmente a perda de Vince, e Dean não demorou a perceber que eu estava desconfortável ali.
- O que houve? Você está pálida Holly...
- Ah, nada, não é nada. Você se importa se eu for tomar um café enquanto você espera o seu irmão?
- Não, eu fico aqui. Aliás, quer que eu vá com você?
- Não precisa, eu tenho que pensar um pouco... - eu me aproximei para um beijo rápido antes de sair caminhando dentre a bagunça do aeroporto.
Eu me lembrava de Vince com tanta clareza que ainda não conseguia assimilar a sua morte. Ele me defenderia de Rupert, cuidaria de mim como se eu fosse uma criança, porque era o que ele fazia melhor, cuidar de mim, me afastar de confusão. Meu celular vibrou no bolso da calça despertando-me de meus devaneios.
- Fala.
- Filha? Tá me ouvindo?
- Mãe! Claro que eu to te ouvindo, para de gritar!
- Ah minha filha, eu estava tão preocupada, e estou com tantas saudades! Como você está meu amor?
- Eu to bem mãe. Olha, eu tenho que desligar, mas eu te ligo mais tarde, pode ser?
- Mas por que já vai desligar?
- Depois eu te ligo, beijos e se cuida viu? - eu me despedi apressada ao ver que Dean se aproximava. Um cara alto, com ombros largos e os mesmos olhos de Dean caminhava atrás dele. "Deve ser o Sam" eu pensei.
- Hey eu sou Holly James, muito prazer - eu cumprimentei estendendo a mão quando eles chegaram a minha mesa.
- Sam Winchester - ele respondeu ao apertar minha mão.
- Então querem comer alguma coisa ou a gente já pode ir?
- Por mim podemos ir - eu respondi me levantando.
- É, podemos ir.
***
No carro Dean expôs a situação a Sam em detalhes, como Rupert tinha me tratado de modo estranho no Harvelle's e como eu tinha reagido. Sam não teve nenhum dúvida de que algo estava realmente errado com Rupert ao ouvir meu relato sobre nossa discussão na casa de Jack. Ele confirmou o que Dean tinha dito mais cedo, sobre Rupert ser um bom garoto.
- Espera, você disse que se chamava Holly James certo? - Sam perguntou de repente.
- Ah, sim. Por que?
- Você é a filha do Bill?
- Ah, suponho que sim.
- Dean, não é possível que você seja tão idiota assim.
- Do que você está... Filho da puta! Como eu não pensei nisso?
- Será que alguém pode me explicar o que diabos está acontecendo?
- Papai disse pra tomarmos cuidado e você...
- Tá, já entendi! Não precisa ficar me dando bronca não ok?
- Hey! Calem a boca! Dá pra me explicar o que tá acontecendo? - eu gritei exasperada.
Os dois me olharam assustados, e Sam começou a me explicar. Pelo que eu entendi, tinha alguém caçando filhos de caçadores, e eu estava na lista das presas mais fáceis, já que, supostamente, eu não sabia me defender. "Eles" - quem estava por trás disso - botaram um demônio pra me vigiar: Rupert. Claro que tudo isso eram só hipóteses, talvez Rupert fosse simplesmente um filho da puta.
***
-Já vai! - ouvimos a voz de Lita de dentro da casa. - Olha quem apareceu! Dean Winchester! Meu deus, como você cresceu Sam!
- E aí Lita, a trouxe de volta - Dean disse apontando pra mim.
- Holly, Holly, Holly... Rupert está furioso com você. Nunca vi aquele rapaz desse jeito.
- Bom, sobre isso temos muito coisa pra conversar. Jack está aí? - Sam interviu.
- Sim, está na sala de estar. Podem entrar rapazes.
A casa de Jack estava mais sombria hoje, as janelas todas fechadas, apenas algumas velas esporádicas ao longo do corredor. Dean segurou minha mão quando Rupert desceu a escada e me olhou com uma expressão de desprezo. Ele passou em direção a cozinha se dirigir a nós mais do que um olhar de profunda aversão. Continuamos andando até a porta indicada por Lita como sendo a sala de estar.
- Jack? Os meninos Winchesters estão aqui para vê-lo. - Lita anunciou ranzinza.
- Dean. Sam. Entrem e fechem a porta. Não quero essa velha enxerida escutando nossa conversa.
- Jack, me desculpe mas eu acho importante que a Lita ouça o que temos a dizer - eu argumentei baixinho, no fundo torcendo para que ele não me ouvisse.
- Você chegou Holly. Não tinha te visto por detrás desses dois. Está bem então, mas fechem a porta assim mesmo.
Sam começou a falar, e contou tudo que nós havíamos contado para ele no carro, e toda a história caçada aos filhos de caçadores, a suspeita de que Rupert estaria possuído e tudo o mais. Jack se sentiu ofendido dizendo que obviamente já o havia testado, mas Lita achou bem plausível a nossa história. Só tínhamos uma escolha: Matá-lo antes que ele me matasse. E eu era quem devia fazer isso.
quarta-feira, dezembro 15, 2010
Capítulo 12.
Por fim Dean me levou para comer alguma coisa em um restaurante de beira de estrada. Uma garçonete quarentona com os cabelos oxigenados presos em um rabo de cavalo veio nos atender mascando um chiclete.
- Então gatinho, o que vai querer? - ela perguntou dirigindo seu "charme" para Dean.
- Só uma cerveja - ele respondeu sorrindo para ela. - E você Holly?
- Um cheeseburguer e uma cerveja, obrigada.
Ela se retirou com um ar antipático, mas não antes de soltar um papel na mesa. Dean pegou o papel com curiosidade e depois de ler soltou uma risada.
- Olha isso! Bernadette 555-43323! Ela me deu o telefone dela! - ele explicou achando graça. Minha expressão se manteve impassível, demonstrando o meu desagrado por aquela velha assanhada estar flertando com o cara que estava me pagando uma bebida.
- Relaxa Holly, não fica com ciúme, ela não me interessa em nada ok? A não ser aquele cabelo loiro macio e sedoso. Sabe como é né, os caras preferem as loiras - ele continuou rindo. Eu dei um soco em seu braço agora rindo com ele. - Que violência!
- O que? Para de ser sensível, foi só um soquinho de nada! - eu exclamei rindo de sua reação.
- Ah, não mesmo! Onde você aprendeu a bater garota? Fala sério!
- Onde você aprendeu a ser tão dramático? - eu respondi e inclinei meu rosto para encarar Dean. Ele me olhava de um jeito estranho, e inclinou seu rosto para o meu. Seus lábios tocaram os meus e nos beijamos até que a garçonete veio entregar as cervejas e o meu sanduíche. Nos afastamos assustados, e ele se distanciou e ficou olhando para o outro lado enquanto eu tentava abrir a minha cerveja. Ao menor esforço que eu fiz para tirar a tampa da garrafa, o vidro estilhaçou em minhas mãos. Eu xinguei em voz baixa e fiquei olhando irritada para a sujeira que eu tinha feito.
- Hey, Bernadette certo? Você pode trazer mais uma cerveja e um pano por favor? - Dean chamou a garçonete sorrindo. - Que coisa hein Holly, é só eu me distrair e você já fica aí quebrando tudo em que põe as suas mãos de Superman...
- Ah, cala a boca - eu respondi rindo.
***
- Sabe, desculpa por aquilo lá dentro ok? - Dean começou quando nós já estávamos dentro do carro.
- Aquilo o que? Ficar flertando com a garçonete? - eu brinquei.
- Não, por... você sabe, ter te beijado e tal...
- Ãhn... Eu... Por que você está pedindo desculpa?
- Ah, pareceu que você ficou incomodada, então...
Eu bufei revirando os olhos. "Como ele pode pensar que eu não gostei?" eu pensei abismada com tal possibilidade.
- Olha Dean, eu não fiquei incomodada, isso é ridiculo! Eu fiquei um pouco embaraçada, porque você se virou e me deixou lá sozinha com a minha garrafa de cerveja quebrada...
Sua risada ecoou pela noite silenciosa e a luz da lua incidiu no vidro do carro de modo a deixar sua expressão quase angelical. Sua mão acariciava gentilmente meu rosto, seus olhos se fechando a medida que ele se aproximava de mim, ainda com o sorriso estampado. Ao menor toque de seus lábios nos meus, meus braços envolveram firmemente seu pescoço, puxando-o para mais perto. Dean se debruçou sobre mim e um rangido agudo denunciou o peso excessivo em cima do banco do carro. Suas mãos percorriam meu corpo e eu, ofegante, tirava sua jaqueta com certa dificuldade. Ele interrompeu nosso beijo tempo suficiente para tirar sua camisa, e em seguida estávamos, novamente, como um só corpo. Ofegante eu tentei me afastar dele um pouco, porque eu sentia que aquele banco não aguentaria muita coisa se continuássemos daquele jeito. Ele, para minha surpresa, se afastou assim que eu mostrei certa relutância.
- O que foi? - ele perguntou com a voz rouca.
- O banco tá rangendo, acho que ele pode quebrar - eu respondi sem graça de interromper por causa disso, mas era de fato algo que estava me preocupando. Ele riu e saindo de cima de mim, pulou para o banco de trás do carro.
- Esse aqui não range, eu juro.
Eu sorri e pulei para o banco de trás, caindo suavemente em seu colo. A excitação momentânea, que me deixara no momento em que nossos lábios se separaram, voltou assim que eu olhei aquele rosto, com um sorriso malicioso, mas ainda assim inocente; como um garotinho que foi pego fazendo algo que não devia por alguém que ele sabia que não iria castigá-lo. Eu me inclinei para beijá-lo novamente, suas mãos agora subindo por minhas costas levantando minha blusa.
***
- Não Lita, não se preocupa, eu volto amanhã a tarde. Eu estou bem. Bom, depois eu te explico, juro que quando chegar você pode me interrogar. Eu estou com... - eu me interrompi pensando se devia dizer com quem eu estava. Dean se ofereceu pra falar com ela com um gesto de cabeça, e eu passei o celular para ele.
- E aí Lita, aqui é o Dean Winchester. Você lembra de mim, certo? Isso, filho do John. Ele está bem, saudável como um cavalo... Então, eu levo a Holly aí amanhã, tá bom? - uma risada breve - Eu cuido dela, pode deixar... Passo aí sim, claro, eu só tenho que buscar o Sammy no aeroporto. Ok, ok, boa noite Lita.
Ele desligou o celular e me puxou para que eu me deitasse com ele na cama do hotel em que acabamos a noite. Eu me desvencilhei rindo, e apontei para a roupa molhada que eu ainda estava usando.
- Calma, eu não posso me deitar com essa roupa molhada. Você quer que eu pegue uma pneumonia?
- Hmmm, boa idéia, tira essa roupa, eu to quentinho aqui - ele respondeu rindo.
Quando eu sai de casa essa noite pensando em tomar alguma coisa pra afogar minhas mágoas, nunca imaginei que terminaria a noite assim: em um hotel barato, com um cara tão lindo e tão suficientemente feliz.
- Então gatinho, o que vai querer? - ela perguntou dirigindo seu "charme" para Dean.
- Só uma cerveja - ele respondeu sorrindo para ela. - E você Holly?
- Um cheeseburguer e uma cerveja, obrigada.
Ela se retirou com um ar antipático, mas não antes de soltar um papel na mesa. Dean pegou o papel com curiosidade e depois de ler soltou uma risada.
- Olha isso! Bernadette 555-43323! Ela me deu o telefone dela! - ele explicou achando graça. Minha expressão se manteve impassível, demonstrando o meu desagrado por aquela velha assanhada estar flertando com o cara que estava me pagando uma bebida.
- Relaxa Holly, não fica com ciúme, ela não me interessa em nada ok? A não ser aquele cabelo loiro macio e sedoso. Sabe como é né, os caras preferem as loiras - ele continuou rindo. Eu dei um soco em seu braço agora rindo com ele. - Que violência!
- O que? Para de ser sensível, foi só um soquinho de nada! - eu exclamei rindo de sua reação.
- Ah, não mesmo! Onde você aprendeu a bater garota? Fala sério!
- Onde você aprendeu a ser tão dramático? - eu respondi e inclinei meu rosto para encarar Dean. Ele me olhava de um jeito estranho, e inclinou seu rosto para o meu. Seus lábios tocaram os meus e nos beijamos até que a garçonete veio entregar as cervejas e o meu sanduíche. Nos afastamos assustados, e ele se distanciou e ficou olhando para o outro lado enquanto eu tentava abrir a minha cerveja. Ao menor esforço que eu fiz para tirar a tampa da garrafa, o vidro estilhaçou em minhas mãos. Eu xinguei em voz baixa e fiquei olhando irritada para a sujeira que eu tinha feito.
- Hey, Bernadette certo? Você pode trazer mais uma cerveja e um pano por favor? - Dean chamou a garçonete sorrindo. - Que coisa hein Holly, é só eu me distrair e você já fica aí quebrando tudo em que põe as suas mãos de Superman...
- Ah, cala a boca - eu respondi rindo.
***
- Sabe, desculpa por aquilo lá dentro ok? - Dean começou quando nós já estávamos dentro do carro.
- Aquilo o que? Ficar flertando com a garçonete? - eu brinquei.
- Não, por... você sabe, ter te beijado e tal...
- Ãhn... Eu... Por que você está pedindo desculpa?
- Ah, pareceu que você ficou incomodada, então...
Eu bufei revirando os olhos. "Como ele pode pensar que eu não gostei?" eu pensei abismada com tal possibilidade.
- Olha Dean, eu não fiquei incomodada, isso é ridiculo! Eu fiquei um pouco embaraçada, porque você se virou e me deixou lá sozinha com a minha garrafa de cerveja quebrada...
Sua risada ecoou pela noite silenciosa e a luz da lua incidiu no vidro do carro de modo a deixar sua expressão quase angelical. Sua mão acariciava gentilmente meu rosto, seus olhos se fechando a medida que ele se aproximava de mim, ainda com o sorriso estampado. Ao menor toque de seus lábios nos meus, meus braços envolveram firmemente seu pescoço, puxando-o para mais perto. Dean se debruçou sobre mim e um rangido agudo denunciou o peso excessivo em cima do banco do carro. Suas mãos percorriam meu corpo e eu, ofegante, tirava sua jaqueta com certa dificuldade. Ele interrompeu nosso beijo tempo suficiente para tirar sua camisa, e em seguida estávamos, novamente, como um só corpo. Ofegante eu tentei me afastar dele um pouco, porque eu sentia que aquele banco não aguentaria muita coisa se continuássemos daquele jeito. Ele, para minha surpresa, se afastou assim que eu mostrei certa relutância.
- O que foi? - ele perguntou com a voz rouca.
- O banco tá rangendo, acho que ele pode quebrar - eu respondi sem graça de interromper por causa disso, mas era de fato algo que estava me preocupando. Ele riu e saindo de cima de mim, pulou para o banco de trás do carro.
- Esse aqui não range, eu juro.
Eu sorri e pulei para o banco de trás, caindo suavemente em seu colo. A excitação momentânea, que me deixara no momento em que nossos lábios se separaram, voltou assim que eu olhei aquele rosto, com um sorriso malicioso, mas ainda assim inocente; como um garotinho que foi pego fazendo algo que não devia por alguém que ele sabia que não iria castigá-lo. Eu me inclinei para beijá-lo novamente, suas mãos agora subindo por minhas costas levantando minha blusa.
***
- Não Lita, não se preocupa, eu volto amanhã a tarde. Eu estou bem. Bom, depois eu te explico, juro que quando chegar você pode me interrogar. Eu estou com... - eu me interrompi pensando se devia dizer com quem eu estava. Dean se ofereceu pra falar com ela com um gesto de cabeça, e eu passei o celular para ele.
- E aí Lita, aqui é o Dean Winchester. Você lembra de mim, certo? Isso, filho do John. Ele está bem, saudável como um cavalo... Então, eu levo a Holly aí amanhã, tá bom? - uma risada breve - Eu cuido dela, pode deixar... Passo aí sim, claro, eu só tenho que buscar o Sammy no aeroporto. Ok, ok, boa noite Lita.
Ele desligou o celular e me puxou para que eu me deitasse com ele na cama do hotel em que acabamos a noite. Eu me desvencilhei rindo, e apontei para a roupa molhada que eu ainda estava usando.
- Calma, eu não posso me deitar com essa roupa molhada. Você quer que eu pegue uma pneumonia?
- Hmmm, boa idéia, tira essa roupa, eu to quentinho aqui - ele respondeu rindo.
Quando eu sai de casa essa noite pensando em tomar alguma coisa pra afogar minhas mágoas, nunca imaginei que terminaria a noite assim: em um hotel barato, com um cara tão lindo e tão suficientemente feliz.
domingo, dezembro 12, 2010
Cápitulo 11.
O vento frio do norte feria minha pele sensível, mas eu não iria parar. As palavras rudes de Rupert - que ainda ecoavam em meus ouvidos - me davam, de certa forma, forças pra continuar. A lembrança do nosso desentendimento me lembrava o porquê da minha súbita vontade de sair da casa que eu acabara de chegar. Por puro orgulho eu me obrigaria a ser a melhor caçadora que o mundo jamais vira, ia fazer todos os que duvidaram de mim engolirem suas palavras venenosas. Eu perguntara a Jack onde eu poderia tomar alguma coisa para me aquecer e ele respondera toscamente que tinha bastante bebida na casa e que não era necessário sair, mas lita - entendendo o desejo implícito em minhas palavras - me deu instruções para chegar a um bar chamado Harvelle's Roadhouse que não ficava longe.
- Muito obrigada Lita, muito obrigada mesmo! - eu agradecera fervorosamente.
- Tá tá, só não volte muito tarde sozinha, essas estradas podem ser perigosas para uma garota frágil como você. - ela dissera enquanto me levava até a porta - Sem ofensas - acrescentando com sua risada aguda.
E agora eu já podia ver as luzes do bar desejando mais do que nunca estar lá dentro. Um carro escuro parou ao meu lado me sobressaltando. "Droga, era só o que me faltava" pensei nervosa.
- Hey, você está indo pra onde? Não quer uma carona? Uma garota bonita assim não deveria andar sozinha por essas estradas... - disse uma voz rouca masculina.
- Eu sei me cuidar, obrigada - eu respondi friamente voltando a caminhar. O carro continuo me acompanhando.
- Ah, para né? Entra aí! - ele disse ligando a luz do carro e abrindo a porta. Eu suspirei me rendendo e entrei no carro. Estava tão quente lá dentro que eu me repreendi por não ter entrado antes. Eu me virei constrangida para ver o rosto do meu "salvador" e meu queixo quase caiu. Um cara com uns 22 anos, com a pele clara e o cabelo castanho, e os olhos verdes intensos me olhava com curiosidade. Seu rosto era de certa forma melífluo e com os traços suaves, mas uma taciturnidade de quem já vira muita coisa balanceava-o deixando o rapaz com uma beleza, de certa forma, exótica.
- Posso te perguntar o seu nome e destino?
- Holly, estou indo pro Harvelle's. E você? - perguntei tentando ser simpática.
- Dean, e por coicidência também esotou indo pra lá - ele disse indicando com a cabeça as luzes ao longe - Mas é um lugar estranho pra uma garota ir sozinha a essa hora. Quer dizer, você vai se encontrar com alguém lá? - acrescentou constrangido.
- Não, não, estou sozinha mesmo... - respondi me divertindo com seu contrangimento.
- Bom, somos dois. - ele disse sorrindo.
Eu retribui o sorriso. A pequena viagem foi curta e silenciosa, mas não foi desagradável. Quando saímos do carro Dean pigarreou e me lançou um olhar para que eu não prosseguisse.
- Eu... será que eu posso te pagar uma bebida?
- Ah... Claro - respondi surpresa com um sorriso tímido.
Caminhamos lado a lado e entramos no bar. Parecia um pouco os salões do velho oeste e uma banda de country tocava desafinada em um canto, mas até que era bem agradável. Nos sentamos no bar e durante a espera por atendimento o silêncio entre nós reinou. Uma garota loira mais ou menos da minha idade veio nos atender depois de uns 5 minutos de uma espera desconfortável.
- Hey hey Winchester, o que eu posso trazer pra você?
- Jo, tudo bem? A Ellen tá aqui?
- Não, ela saiu hoje cedo e ainda não voltou. Por que?
- Eu precisava falar com ela... Mas enquanto isso me traz uma cerveja. O que vai querer Holly?
- Uma dose de conhaque por favor - eu pedi quase sussurrando.
- Conhaque? Wow garota! - Dean comentou rindo assim que a garota foi buscar os nossos pedidos.
- Dean Winchester? Será que estou vendo direito? - exclamou uma voz terrivelmente conhecida. Dean se virou lentamente com uma expressão surpreso no rosto.
- Mayburn? Desgraçado, achei que estava pra lá do atlântico! É claro que sou eu! - Dean respondeu entusiasmado. Eu fiquei virada para o bar calada, constrangida demais para me virar.
- Estava, voltei hoje mesmo! Como está o John? E o Sam?
- Estão bem, estão todos bem. Quer dizer, papai está sumido, mas ele já entrou em contato e disse estar bem. E Jack? Continua ranzinza?
- Mas é claro, ainda mais agora que chegou a filha do Velho Bill.
- A filha do Velho Bill? Com quantos anos ela está?
- Acabou de fazer 18. Eu conheço esse olhar Dean, mas ela não é muito sociável não, vou logo avisando.
- Ah é? Eu discordo, sou bastante sociável. - eu me intrometi me virando para encarar Rupert.
- Holly? O que você faz aqui?
Eu peguei o conhaque no bar e o ergui para lhe mostrar o que eu estava fazendo ali. Dean observava a cena com uma expressão que mesclava admiração e espanto.
- Holly James, hã? - Dean comentou em voz baixa. Eu sorri e voltei minha atenção ao conhaque.
- Qual é garota, você veio até aqui beber conhaque? O que você quer provar com isso? - Rupert insistiu com a voz carregada de desprezo. Eu o ignorei.
- Olha aqui Mayburn, você pode ser meu amigo, conhecer a Holly aqui, e até ter algum problema pessoal com ela, mas ela é minha acompanhante essa noite e eu vou ter que pedir que você pare com essa merda.
- Parabéns Holly, conseguiu semear a discórdia entre dois amigos. - Rupert comentou sarcástico.
- Olha aqui Rupert, não sei o que eu fiz pra merecer todo esse desprezo, mas se você acha que eu vou ficar ouvindo tudo isso calada, você está muito enganado.
- Ah é? E o que você vai fazer? Chorar e se esconder nas saias da sua mãe?
Antes que eu pudesse entender o que eu estava fazendo, meu punho de fechou e atingiu o rosto perfeito de Rupert com uma força quase sobre humana. Ele caiu no chão, desacordado após ter batido a cabeça em uma mesa. Eu virei o copo de conhaque, tirei uma nota de 10 do bolso da jaqueta e coloquei no balcão, me desculpei apressada com Jo pela bagunça e sai rapidamente. Eu já estava fora do bar quando percebi que Dean estava me seguindo.
- Calma, calma. Por que tá correndo?
- Por que? Porque eu acabei de esmurrar o idiota do Rupert em um bar. Por isso eu estou correndo.
- Mas isso foi demais! Sério, onde aprendeu a bater daquele jeito?
- Não sei, foi instinto. - respondi sorrindo pelo canto da boca.
- Então, talvez você queira tomar alguma coisa em algum outro lugar. O céu é o limite.
- Eu até gostaria, mas eu não vou saber voltar pra casa do Jack de eu for mais longe do que isso...
- Eu te levo de volta, eu sei onde os Kimpler moram.
- Então me surpreenda. Me leve num lugar que você ache legal, sei lá... - respondi sorrindo.
- Muito obrigada Lita, muito obrigada mesmo! - eu agradecera fervorosamente.
- Tá tá, só não volte muito tarde sozinha, essas estradas podem ser perigosas para uma garota frágil como você. - ela dissera enquanto me levava até a porta - Sem ofensas - acrescentando com sua risada aguda.
E agora eu já podia ver as luzes do bar desejando mais do que nunca estar lá dentro. Um carro escuro parou ao meu lado me sobressaltando. "Droga, era só o que me faltava" pensei nervosa.
- Hey, você está indo pra onde? Não quer uma carona? Uma garota bonita assim não deveria andar sozinha por essas estradas... - disse uma voz rouca masculina.
- Eu sei me cuidar, obrigada - eu respondi friamente voltando a caminhar. O carro continuo me acompanhando.
- Ah, para né? Entra aí! - ele disse ligando a luz do carro e abrindo a porta. Eu suspirei me rendendo e entrei no carro. Estava tão quente lá dentro que eu me repreendi por não ter entrado antes. Eu me virei constrangida para ver o rosto do meu "salvador" e meu queixo quase caiu. Um cara com uns 22 anos, com a pele clara e o cabelo castanho, e os olhos verdes intensos me olhava com curiosidade. Seu rosto era de certa forma melífluo e com os traços suaves, mas uma taciturnidade de quem já vira muita coisa balanceava-o deixando o rapaz com uma beleza, de certa forma, exótica.
- Posso te perguntar o seu nome e destino?
- Holly, estou indo pro Harvelle's. E você? - perguntei tentando ser simpática.
- Dean, e por coicidência também esotou indo pra lá - ele disse indicando com a cabeça as luzes ao longe - Mas é um lugar estranho pra uma garota ir sozinha a essa hora. Quer dizer, você vai se encontrar com alguém lá? - acrescentou constrangido.
- Não, não, estou sozinha mesmo... - respondi me divertindo com seu contrangimento.
- Bom, somos dois. - ele disse sorrindo.
Eu retribui o sorriso. A pequena viagem foi curta e silenciosa, mas não foi desagradável. Quando saímos do carro Dean pigarreou e me lançou um olhar para que eu não prosseguisse.
- Eu... será que eu posso te pagar uma bebida?
- Ah... Claro - respondi surpresa com um sorriso tímido.
Caminhamos lado a lado e entramos no bar. Parecia um pouco os salões do velho oeste e uma banda de country tocava desafinada em um canto, mas até que era bem agradável. Nos sentamos no bar e durante a espera por atendimento o silêncio entre nós reinou. Uma garota loira mais ou menos da minha idade veio nos atender depois de uns 5 minutos de uma espera desconfortável.
- Hey hey Winchester, o que eu posso trazer pra você?
- Jo, tudo bem? A Ellen tá aqui?
- Não, ela saiu hoje cedo e ainda não voltou. Por que?
- Eu precisava falar com ela... Mas enquanto isso me traz uma cerveja. O que vai querer Holly?
- Uma dose de conhaque por favor - eu pedi quase sussurrando.
- Conhaque? Wow garota! - Dean comentou rindo assim que a garota foi buscar os nossos pedidos.
- Dean Winchester? Será que estou vendo direito? - exclamou uma voz terrivelmente conhecida. Dean se virou lentamente com uma expressão surpreso no rosto.
- Mayburn? Desgraçado, achei que estava pra lá do atlântico! É claro que sou eu! - Dean respondeu entusiasmado. Eu fiquei virada para o bar calada, constrangida demais para me virar.
- Estava, voltei hoje mesmo! Como está o John? E o Sam?
- Estão bem, estão todos bem. Quer dizer, papai está sumido, mas ele já entrou em contato e disse estar bem. E Jack? Continua ranzinza?
- Mas é claro, ainda mais agora que chegou a filha do Velho Bill.
- A filha do Velho Bill? Com quantos anos ela está?
- Acabou de fazer 18. Eu conheço esse olhar Dean, mas ela não é muito sociável não, vou logo avisando.
- Ah é? Eu discordo, sou bastante sociável. - eu me intrometi me virando para encarar Rupert.
- Holly? O que você faz aqui?
Eu peguei o conhaque no bar e o ergui para lhe mostrar o que eu estava fazendo ali. Dean observava a cena com uma expressão que mesclava admiração e espanto.
- Holly James, hã? - Dean comentou em voz baixa. Eu sorri e voltei minha atenção ao conhaque.
- Qual é garota, você veio até aqui beber conhaque? O que você quer provar com isso? - Rupert insistiu com a voz carregada de desprezo. Eu o ignorei.
- Olha aqui Mayburn, você pode ser meu amigo, conhecer a Holly aqui, e até ter algum problema pessoal com ela, mas ela é minha acompanhante essa noite e eu vou ter que pedir que você pare com essa merda.
- Parabéns Holly, conseguiu semear a discórdia entre dois amigos. - Rupert comentou sarcástico.
- Olha aqui Rupert, não sei o que eu fiz pra merecer todo esse desprezo, mas se você acha que eu vou ficar ouvindo tudo isso calada, você está muito enganado.
- Ah é? E o que você vai fazer? Chorar e se esconder nas saias da sua mãe?
Antes que eu pudesse entender o que eu estava fazendo, meu punho de fechou e atingiu o rosto perfeito de Rupert com uma força quase sobre humana. Ele caiu no chão, desacordado após ter batido a cabeça em uma mesa. Eu virei o copo de conhaque, tirei uma nota de 10 do bolso da jaqueta e coloquei no balcão, me desculpei apressada com Jo pela bagunça e sai rapidamente. Eu já estava fora do bar quando percebi que Dean estava me seguindo.
- Calma, calma. Por que tá correndo?
- Por que? Porque eu acabei de esmurrar o idiota do Rupert em um bar. Por isso eu estou correndo.
- Mas isso foi demais! Sério, onde aprendeu a bater daquele jeito?
- Não sei, foi instinto. - respondi sorrindo pelo canto da boca.
- Então, talvez você queira tomar alguma coisa em algum outro lugar. O céu é o limite.
- Eu até gostaria, mas eu não vou saber voltar pra casa do Jack de eu for mais longe do que isso...
- Eu te levo de volta, eu sei onde os Kimpler moram.
- Então me surpreenda. Me leve num lugar que você ache legal, sei lá... - respondi sorrindo.
segunda-feira, novembro 22, 2010
Capítulo 10.
Rupert
O sul se punha no horizonte que agora estava bem abaixo de nós, o vôo estava sendo tranquilo, mas eu podia ver a inquietação muda de Holly. Eu tinha que confessar que também não estava tão calmo quanto esperava que transparecesse. Será que Jack ficaria decepcionado com a evidente falta de jeito de Holly? Ela dizia ser boa com armas e tudo mais, mas eu não conseguia ver seus braçõs delicados segurando uma arma.
- Rupert - ela me chamou em um sussurro.
- Diga - respondi me inclinando de modo que pudesse olhar para ela.
- Eu estou com medo.
- Medo?
- Sim, medo de não ser boa, medo de manchar a memória de meu pai, medo de decepcionar pessoas... - ela disse e eu pude ver uma lágrima deslizar pelo seu rosto. Instintivamente levei minhas mãos ao seu rosto para limpar aquela lágrima.
- Para com isso Holly, você é ótima, não precisa se preucupar, você jamais manchará a memória de Bill, onde ele estiver ele está com muito orgulho da filha que você é.
Ela sorriu mas eu pude ver que ela ainda não estava convencida. Eu resolvi deixar ela pensar um pouco, talvez ela desistisse e quisesse voltar para Londres me poupando da humilhação que seria apresentar aquela menina frágil como a filha de Bill James. Eu sabia que era cruel pensar dessa maneira, mas era a verdade: enquanto ela não tivesse provado ser mesmo boa, eu não ia querer ela como minha parceira. Um peso morto era tudo que eu não precisava.
E tinha outra coisa que me preucupava. O que Ruby ia querer em troca de salvar minha vida? Eu detestava tratar com demônios, nunca era vantajoso para mim. "Jack vai saber o que fazer" pensei com firmeza. A voz da aeromoça anunciou o momento do pouso, chegou a hora.
-----------
Holly
Era agora, eu ia conhecer Jack, Lita e toda uma nova vida. Eu estava começando a me desesperar, eu estava a beira das lágrimas na verdade. Rupert esteve distante durante a viagem, e eu estava começando a achar que ele também não estava confiante em relação a mim. "Não seja boba, Rupert jamais perderia a fé em você" eu me repreendi. Eu respirei fundo e esperei o avião pousar com os olhos fechados.
- Vamos Holly, temos que descer - Rupert disse formalmente apontando para o bagageiro a cima de nós.
- Ok - respondi distraída.
Nós pegamos as malas do bagageiro e descemos do avião. Ao sair pelo portão de desembarque, eu logo vi um homem de mais ou menos 50 anos, meio calvo, com uma expressão forte no rosto, apoiado em uma begala trabalhada. Era Jack, isso estava óbvio. Mas quem era a garota loira ao seu lado? Rupert dissera que Lita era a irmã mais velha de Jack, e a garota devia ter a minha idade, apesar de ter cara de que já conhecera muitas coisas.
- Rupert - tentei chamá-lo discretamente - quem é ela?
Ele não me respondeu logo, percebi que ele estava tão surpreso quanto eu a respeito da presença da garota.
- Ruby. - ele disse mais para si mesmo. - Ruby - ele disse mais alto, agora de dirigindo à garota.
- E aí Mayburn, sentiu minha falta? - a garota, Ruby, disse em um tom irônico sorrindo. Rupert riu um pouco, mas a ignorou.
- Jack - ele disse aliviado e abraçou o velho.
- Olá moleque - disse Jack com uma voz rasgada, retribuindo o abraço.
- Jack, Ruby, essa é a Holly James - ele nos apresentou sem nem dirigir o olhar para mim.
- Oi - eu disse timidamente. Ruby se aproximou rapidamente e me deu um abraço caloroso.
- Olá querida, eu sou Ruby. Senti muitíssimo quando seu pai se foi, ele faz muita falta ao mundo.
- Ah, prazer, Holly. Ah... É, ele faz falta... - respondi ainda constrangida demais para falar algo concreto.
- Você não faz idéia garota, Bill foi um grande homem - Jack concordou com Ruby em sua voz ressonante. - Jack Kimpler - ele acrescentou estendendo a mão para mim. Eu apertei sua mão e balbuciei meu nome novamente.
- Onde está Lita, Jack? - Rupert perguntou aliviando meu constrangimento.
- Ficou em casa, aquela velha ranzinza. - Jack resmungou em resposta. - Aqui não é o melhor lugar para conversarmos, que tal pegarem suas malas e andarem rápido?
Nós assentimos e caminhamos para pegar nossas malas. Rupert não trocou nem uma palavra comigo durante o percurso. Eu estava ficando tão magoada que o nervosismo estava quase ficando em segundo plano. Quase.
--------
A casa de Jack ficava em um terreno na periferia da cidade. Era grande e espaçosa para quem via de fora, e por dentro podia se ver que cada espaço, que outrora estivera vazio, fora preenchido. Eu podia ver grandes desenhos nas paredes, passagens bíblicas pintadas e espostas no teto - como em uma igreja -, livros grossos e de aparência antiga apinhavam as estantes de madeira escura que estavam presentes em praticamente todos os lugares da casa. Era definitivamente a casa de um estudioso do mundo sobrenatural.
Rupert conversava animado com Ruby, e eu percebi com uma pontada de incômodo que eu estava com ciúme. Jack mancava a frente me guiando, até que parou em uma porta que estava fechada. Ele bateu toscamente e uma voz penetrante gritou algo ininteligível em resposta. Jack se virou para mim e murmurou em tom de conspiração.
- Não ligue para os comentários infelizes dessa velha está bem garota? Ela ladra mas no fundo é só uma mulher ranzinza.
Eu sorri e apenas concordei com a cabeça. A porta se abriu e uma mulher apareceu no vão. o meu primeiro pensamento quando a vi, foi que eu gostaria de estar conservada como ela quando chegasse a sua idade. Ela tinha os braços bem delineados por musculos compridos que estava presentes em todas as partes que estavam a mostra de seu corpo. Uma juba cor de palha envolvia um rosto já maculado por linhas fortes de expressão, e seus olhos duros estavam envoltos por cílios com uma camada grossa de rímel preto. Ela me avaliava com interesse e sem nenhuma cerimônia.
- Você é a garota James então. - não era uma pergunta, e a semelhança da voz de Lita com a do irmão me assustou um pouco.
- Holly James, muito prazer - me apresentei estendendo a mão. Ela apertou minha mãe com suas mãos de ferro.
- Lita Kimpler, o prazer é todo meu. Eu espero, pelo menos. - ela respondeu e sua risada ecoou pela casa vazia.
- Ok Lita, agora saia do meu caminho, minhas pernas estão me matando.
- Ah, seu velho rabugento, só sabe reclamar - a mulher retrucou friamente. - E vejo que essa demoniazinha imunda voltou a nossa casa não é?
- Ah mulher, cale-se. Já te expliquei a situação da nossa Ruby aqui, pode parar de implicar com ela?
- Vai Jack, defende ela, traga essas criaturas peçonhentas a nossa casa. Vai convidá-la para morar conosco para sempre agora é?
- Olha Lita - Ruby interviu antes que Jack pudesse responder - agora que Rupert chegou, não vai demorar muito e você vai estar livre de mim.
Lita só lançou um olhar de profundo desprezo a Ruby e voltou para o fogão. Eu percebi depois de um tempo que estávamos em uma cozinha.
- Moleque, mostre a casa para Holly. Faça algo de útil ao invés de só ficar aí se exibindo feito um pavão para Ruby. - Jack disse imperativamente a Rupert.
- Vamos - ele murmurou ao passar por mim.
- Podem deixar as malas aqui embaixo, depois a gente leva lá pra cima - Jack acrescentou por cima do ombro.
Rupert caminhava rapidamente pelos corredores, e eu tinha que quase correr para acompanhar seu passo. Ele subiu a escada que ficava perto da porta de entrada rapidamente e se dirigiu a um quarto no fim do corredor, aparentemente trancado.
- Esse é o quarto em que ninguém entra a menos que estaja acompanhado de Jack. Esse - e apontou para um quarto com a porta entreaberta a nossa esquerda - é o quarto que você vai ficar. Agora, suponha que estaja cansada, eu vou te dar um pouco de privacidade.
- Não. Eu quero conversar com você. - eu disse com firmeza. Ele suspirou com impaciência me lembrando o tratamento que ele dava a Jen, a garota burra da King's High School.
- Sobre o que você quer conversar?
- Por que você está agindo assim comigo?
- Sinceramente?
- Não, minta pra mim. Claro que sinceramente né.
- Eu cansei de você Holly, você e as suas bipolaridades, suas hipocrisisas, e suas fraquezas. Suas lamentações eternas sobre a sua "vida horrível". É isso. Minha obrigação era te trazer até Jack, agora você é o encargo dele. Agora se me dá licença, eu tenho negócio a tratar com a Ruby.
- Com um demônio? Eu achei que nós matassemos demônios.
- Você achou? Pois eu tenho uma novidade pra você garota, você não sabe de nada. Você é uma pessoa extremamente inútil no momento, e enquanto não aprender o que Jack tem a ensinar vai ser só um peso morto na equipe. Ruby, para seu conhecimento posterior, é importante para o que nós pretendemos fazer.
Suas palavras me machucaram de tal forma, que a única coisa que eu consegui fazer foi me virar com a maior dignidade que consegui reunir e entrar no quarto que ele havia me indicado. Eu não acreditava, ele me enganara. Não estava comigo em Londers porque gostava de mim, mas porque precisava me trazer para Jack. E ele sabia que eu jamais viria sozinha. Eu me senti traída, magoada, mas acima de tudo, ultrajada pela maneira com que Rupert falou comigo. Feriu-me tão fortemente ouví-lo, principalmente por saber que tudo aquilo era verdade.
O sul se punha no horizonte que agora estava bem abaixo de nós, o vôo estava sendo tranquilo, mas eu podia ver a inquietação muda de Holly. Eu tinha que confessar que também não estava tão calmo quanto esperava que transparecesse. Será que Jack ficaria decepcionado com a evidente falta de jeito de Holly? Ela dizia ser boa com armas e tudo mais, mas eu não conseguia ver seus braçõs delicados segurando uma arma.
- Rupert - ela me chamou em um sussurro.
- Diga - respondi me inclinando de modo que pudesse olhar para ela.
- Eu estou com medo.
- Medo?
- Sim, medo de não ser boa, medo de manchar a memória de meu pai, medo de decepcionar pessoas... - ela disse e eu pude ver uma lágrima deslizar pelo seu rosto. Instintivamente levei minhas mãos ao seu rosto para limpar aquela lágrima.
- Para com isso Holly, você é ótima, não precisa se preucupar, você jamais manchará a memória de Bill, onde ele estiver ele está com muito orgulho da filha que você é.
Ela sorriu mas eu pude ver que ela ainda não estava convencida. Eu resolvi deixar ela pensar um pouco, talvez ela desistisse e quisesse voltar para Londres me poupando da humilhação que seria apresentar aquela menina frágil como a filha de Bill James. Eu sabia que era cruel pensar dessa maneira, mas era a verdade: enquanto ela não tivesse provado ser mesmo boa, eu não ia querer ela como minha parceira. Um peso morto era tudo que eu não precisava.
E tinha outra coisa que me preucupava. O que Ruby ia querer em troca de salvar minha vida? Eu detestava tratar com demônios, nunca era vantajoso para mim. "Jack vai saber o que fazer" pensei com firmeza. A voz da aeromoça anunciou o momento do pouso, chegou a hora.
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Holly
Era agora, eu ia conhecer Jack, Lita e toda uma nova vida. Eu estava começando a me desesperar, eu estava a beira das lágrimas na verdade. Rupert esteve distante durante a viagem, e eu estava começando a achar que ele também não estava confiante em relação a mim. "Não seja boba, Rupert jamais perderia a fé em você" eu me repreendi. Eu respirei fundo e esperei o avião pousar com os olhos fechados.
- Vamos Holly, temos que descer - Rupert disse formalmente apontando para o bagageiro a cima de nós.
- Ok - respondi distraída.
Nós pegamos as malas do bagageiro e descemos do avião. Ao sair pelo portão de desembarque, eu logo vi um homem de mais ou menos 50 anos, meio calvo, com uma expressão forte no rosto, apoiado em uma begala trabalhada. Era Jack, isso estava óbvio. Mas quem era a garota loira ao seu lado? Rupert dissera que Lita era a irmã mais velha de Jack, e a garota devia ter a minha idade, apesar de ter cara de que já conhecera muitas coisas.
- Rupert - tentei chamá-lo discretamente - quem é ela?
Ele não me respondeu logo, percebi que ele estava tão surpreso quanto eu a respeito da presença da garota.
- Ruby. - ele disse mais para si mesmo. - Ruby - ele disse mais alto, agora de dirigindo à garota.
- E aí Mayburn, sentiu minha falta? - a garota, Ruby, disse em um tom irônico sorrindo. Rupert riu um pouco, mas a ignorou.
- Jack - ele disse aliviado e abraçou o velho.
- Olá moleque - disse Jack com uma voz rasgada, retribuindo o abraço.
- Jack, Ruby, essa é a Holly James - ele nos apresentou sem nem dirigir o olhar para mim.
- Oi - eu disse timidamente. Ruby se aproximou rapidamente e me deu um abraço caloroso.
- Olá querida, eu sou Ruby. Senti muitíssimo quando seu pai se foi, ele faz muita falta ao mundo.
- Ah, prazer, Holly. Ah... É, ele faz falta... - respondi ainda constrangida demais para falar algo concreto.
- Você não faz idéia garota, Bill foi um grande homem - Jack concordou com Ruby em sua voz ressonante. - Jack Kimpler - ele acrescentou estendendo a mão para mim. Eu apertei sua mão e balbuciei meu nome novamente.
- Onde está Lita, Jack? - Rupert perguntou aliviando meu constrangimento.
- Ficou em casa, aquela velha ranzinza. - Jack resmungou em resposta. - Aqui não é o melhor lugar para conversarmos, que tal pegarem suas malas e andarem rápido?
Nós assentimos e caminhamos para pegar nossas malas. Rupert não trocou nem uma palavra comigo durante o percurso. Eu estava ficando tão magoada que o nervosismo estava quase ficando em segundo plano. Quase.
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A casa de Jack ficava em um terreno na periferia da cidade. Era grande e espaçosa para quem via de fora, e por dentro podia se ver que cada espaço, que outrora estivera vazio, fora preenchido. Eu podia ver grandes desenhos nas paredes, passagens bíblicas pintadas e espostas no teto - como em uma igreja -, livros grossos e de aparência antiga apinhavam as estantes de madeira escura que estavam presentes em praticamente todos os lugares da casa. Era definitivamente a casa de um estudioso do mundo sobrenatural.
Rupert conversava animado com Ruby, e eu percebi com uma pontada de incômodo que eu estava com ciúme. Jack mancava a frente me guiando, até que parou em uma porta que estava fechada. Ele bateu toscamente e uma voz penetrante gritou algo ininteligível em resposta. Jack se virou para mim e murmurou em tom de conspiração.
- Não ligue para os comentários infelizes dessa velha está bem garota? Ela ladra mas no fundo é só uma mulher ranzinza.
Eu sorri e apenas concordei com a cabeça. A porta se abriu e uma mulher apareceu no vão. o meu primeiro pensamento quando a vi, foi que eu gostaria de estar conservada como ela quando chegasse a sua idade. Ela tinha os braços bem delineados por musculos compridos que estava presentes em todas as partes que estavam a mostra de seu corpo. Uma juba cor de palha envolvia um rosto já maculado por linhas fortes de expressão, e seus olhos duros estavam envoltos por cílios com uma camada grossa de rímel preto. Ela me avaliava com interesse e sem nenhuma cerimônia.
- Você é a garota James então. - não era uma pergunta, e a semelhança da voz de Lita com a do irmão me assustou um pouco.
- Holly James, muito prazer - me apresentei estendendo a mão. Ela apertou minha mãe com suas mãos de ferro.
- Lita Kimpler, o prazer é todo meu. Eu espero, pelo menos. - ela respondeu e sua risada ecoou pela casa vazia.
- Ok Lita, agora saia do meu caminho, minhas pernas estão me matando.
- Ah, seu velho rabugento, só sabe reclamar - a mulher retrucou friamente. - E vejo que essa demoniazinha imunda voltou a nossa casa não é?
- Ah mulher, cale-se. Já te expliquei a situação da nossa Ruby aqui, pode parar de implicar com ela?
- Vai Jack, defende ela, traga essas criaturas peçonhentas a nossa casa. Vai convidá-la para morar conosco para sempre agora é?
- Olha Lita - Ruby interviu antes que Jack pudesse responder - agora que Rupert chegou, não vai demorar muito e você vai estar livre de mim.
Lita só lançou um olhar de profundo desprezo a Ruby e voltou para o fogão. Eu percebi depois de um tempo que estávamos em uma cozinha.
- Moleque, mostre a casa para Holly. Faça algo de útil ao invés de só ficar aí se exibindo feito um pavão para Ruby. - Jack disse imperativamente a Rupert.
- Vamos - ele murmurou ao passar por mim.
- Podem deixar as malas aqui embaixo, depois a gente leva lá pra cima - Jack acrescentou por cima do ombro.
Rupert caminhava rapidamente pelos corredores, e eu tinha que quase correr para acompanhar seu passo. Ele subiu a escada que ficava perto da porta de entrada rapidamente e se dirigiu a um quarto no fim do corredor, aparentemente trancado.
- Esse é o quarto em que ninguém entra a menos que estaja acompanhado de Jack. Esse - e apontou para um quarto com a porta entreaberta a nossa esquerda - é o quarto que você vai ficar. Agora, suponha que estaja cansada, eu vou te dar um pouco de privacidade.
- Não. Eu quero conversar com você. - eu disse com firmeza. Ele suspirou com impaciência me lembrando o tratamento que ele dava a Jen, a garota burra da King's High School.
- Sobre o que você quer conversar?
- Por que você está agindo assim comigo?
- Sinceramente?
- Não, minta pra mim. Claro que sinceramente né.
- Eu cansei de você Holly, você e as suas bipolaridades, suas hipocrisisas, e suas fraquezas. Suas lamentações eternas sobre a sua "vida horrível". É isso. Minha obrigação era te trazer até Jack, agora você é o encargo dele. Agora se me dá licença, eu tenho negócio a tratar com a Ruby.
- Com um demônio? Eu achei que nós matassemos demônios.
- Você achou? Pois eu tenho uma novidade pra você garota, você não sabe de nada. Você é uma pessoa extremamente inútil no momento, e enquanto não aprender o que Jack tem a ensinar vai ser só um peso morto na equipe. Ruby, para seu conhecimento posterior, é importante para o que nós pretendemos fazer.
Suas palavras me machucaram de tal forma, que a única coisa que eu consegui fazer foi me virar com a maior dignidade que consegui reunir e entrar no quarto que ele havia me indicado. Eu não acreditava, ele me enganara. Não estava comigo em Londers porque gostava de mim, mas porque precisava me trazer para Jack. E ele sabia que eu jamais viria sozinha. Eu me senti traída, magoada, mas acima de tudo, ultrajada pela maneira com que Rupert falou comigo. Feriu-me tão fortemente ouví-lo, principalmente por saber que tudo aquilo era verdade.
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