Desta vez não tinha nada de angelical no meu sonho. Era uma estrada, que não parecia ter fim, cercada por uma densa floresta. Eu observava do alto, Rupert fugir de animais que não estavam visíveis, mas eles estavam ali. Eu podia senti-los, e não vê-los só tornava tudo mais assustador.Acordei sobressaltada com meu próprio grito.
- Foi só um sonho - murmurei para me acalmar. Mas eu estava nervosa demais, fora tudo tão real. O cheiro dos animais ainda invadia meu nariz, quando eu peguei o notebook na mochila e o liguei.
Animais Invisíveis Foi o que eu digitei na barra de busca. Entre vários resultados, uma chamou minha atenção.
Os animais que guardam a entrada e saída para o Mundo dos Mortos, conhecidos como 'Cães do Inferno' (Hell Hounds), são invisíveis para todos os que estão no mundo dos vivos, mas isso não impede que humanos possam sentir o cheiro acre de corpos apodrecidos que emana de sua boca sangrenta, ou pior, sentir seus dentes pontiagudos dilacerando sua pele [...]
Eu não conseguia respirar, minha cabeça estava girando. Decidi que para o meu próprio bem, essa noite não seria comentada com ninguém. Achei melhor tentar dormir denovo, então só coloquei o notebook no chão, fechei os olhos e mergulhei em um sono sem sonhos.
Na manhã segiunte eu acordei, e a noite anterior parecia bem menos assustadora, agora que o sol e o dia claro de Londres iluminavam meu quarto. Me levantei devagar, e fui em direção ao armário. Eu iria atrás de uma escola hoje, nem que fosse debaixo de neve, sozinha. Lembrando-me do comentário de Rupert sobre o frio, coloquei uma legging por baixo dos jeans, uma blusa de manga comprida com a jaqueta por cima e um sobretudo me protegendo. Arrumei minha mochila com o notebook dentro, alguns livros, meu iPod, celular e a carteira. As luvas já estavam no meu bolso quando alguém bateu na porta.
- Entra! - gritei em respotsa enquanto procurava um chapéu.
- Oi Holly! Já está pronta? Ou agora é você que vai furar comigo? - disse Rupert entrando com um sorriso debochado no quarto e se sentando na cama.
- Ah, oi Rupert - cumprimentei sem sorrir e nem olhar para ele - Bom, não ficou nada marcado para hoje, não é? - perguntei euquanto arrumava o chapéu.
- Tecnicamente não, mas eu disse que iria com você, certo?
- É - concordei - do mesmo modo que você disse que ia comigo ontem, e que disse que ficaria comigo à tarde... - resmunguei, me virando para ele. Quando vi aqueles olhos azuis confusos com a minha evidente frieza, me lembrei o porquê de não ter me virado antes. Seus olhos tinham um poder hipnótico sobre mim, e ele estava estonteante. Mas reparei que uma de suas mãos estava machucada.
- Eu tive que resolver um problema, e já me desculpei - me lembrou ele, agora com um quê de frieza na voz.
Ficamos nos olhando calados por um tempo imensurável, até que resolvi quebrar o silêncio.
- Mas você vai de verdade comigo hoje? - perguntei dando um sorriso.
- É claro que eu vou! Inclusive, te levo para comer depois, pode ser?
- Me parece bom - respondi sorrindo.
- Ah, e pode tirar esse sobretudo e essas luvas, hoje não está tão frio - ele acrescentou. Eu assenti ainda sorrindo. Ele esperou enquanto eu tirava o sobretudo e as luvas e jogava em cima da cama.
O passeio correu extremamente bem, e apesar de com frio e cansada, estava satisfeita com o trabalho da manhã. Eu havia me matriculado na escola de Rupert, e ele conseguiu me colocar na turma dele em todas as aulas. Demos um breve passeio pela escola, e então fomos almoçar juntos.
Londres era uma cidade magnífica, e Rupert parecia conhecer muito bem mesmo o lugar. Escolhemos em restaurante de comida indiana para almoçar. Quando já estávamos sentados juntos, esperando a comida, eu olhei melhor para o machucado na mão de Rupert. Com um sopro de desespero, me lembrei claramente do sonho da noite anterior. Um dos animais mordera Rupert, ele levantara cambaleante, um sangue escarlate escorrendo de sua mão. Seria coincidência?
- Como você machucou a sua mão? - perguntei em um tom um tanto inquisitivo.
Ele, para minha surpresa, não se alterou ou ficou nervoso, apenas sorriu e respondeu sereno:
- Nada, caí outro dia. Essa neve toda deixa as ruas muito escorregadias.
Ao dizer isso, Rupert me passou tanta segurança que eu nem questionei.
- Ah sim, mais cuidado então mocinho - respondi sorrindo.
By moving to London, Holly James embarks on a world of secrets and revenge, where love and loyalty are essential to her survival
sexta-feira, julho 30, 2010
quarta-feira, julho 28, 2010
Capítulo 2
Eram quase nove da manhã quando minha mãe entrou em meu quarto para me acordar.
- Bom dia querida! Rupert me contou os planos de vocês para hoje, então achei melhor vir acordá-la.
- Ah, ok mãe - respondi sonolenta.
- Aliás, acho excelente que você já esteja arrumando amigos por aqui - acrescentou ela sorridente.
Eu assenti com um leve sorriso, enquanto procurava um prendedor de cabelo. Minha mãe saiu do quarto me dando um pouco de privacidade.
- Que diabos de roupa eu vou vestir? - falei sozinha enquanto abria a mala.
Depois de um tempo tentando achar uma roupa, eu me conformei com a minha velha calça jeans rasgada, uma camiseta de manga comprida e uma jaqueta de couro, que era o meu xodó. Peguei minhas coisas e fui em direção ao banheiro. O banheiro da pousada era pequeno, e eu tive que me espremer entre os várioas armários para conseguir ligar o secador de cabelo. E eu precisava mesmo secar o cabelo, porque sair de cabelo molhado em Londres, era o mesmo que pedir para ficar doente. Eu fiquei pronta as nove e meia, com os meus cabelos curtos presos em um rabo de cabalo.
Sentei em uma das mesas da sala com um prato de ovos mexidos e bacon, esperando que Rupert desse sinal de vida. Eram exatamente dez horas quando a porta da pousada abriu, e Rupert entrou ofegante de frio. Eu sorri pra ele, e seu sorriso em resposta veio quase imediatamente.
- Holly! - ele comprimentou acenando para mim enquanto pendurava o sobretudo nos cabides - Receio que os nossos planos para hoje tenham que ser remarcados, pois a neve está quase chegando aos meus joelhos! - e apontou para os pés, enxarcados.
- Ah, mas eu já estava pronta... - respondi fechando a cara. Ele sorriu e veio se sentar ao meu lado.
- E você ia só com essa jaqueta? Não esquece que aqui tem aquecedor. Lá fora deve estar uns 15º negativos. - e riu. Eu dei língua.
Sua beleza era ainda mais magnífica no frio, quando suas bochechas enrubreciam, e o cabelo úmido caia delicadamente sobre o rosto ligando-se assim, aos longos cílios negros.
- Se você não se importar, nós poderíamos ficar aqui na pousada mesmo, tocando guitarra ou qualquer outra coisa que você queira fazer - ele propôs ainda sorrindo pra mim.
- Na verdade, já que você vai furar comigo, eu acho que vou terminar de arrumar minhas malas, essas coisas. - eu respondi dando de ombros, fazendo com que sua expressão desmanchasse rapidamente - É claro que você está convidado a embarcar nessa missão - acrescentei com um pequeno sorriso - eu acrescentei com um pequeno sorriso - Eu até deixo você tocar minha guitarra.
- Você não fica preocupada de ficar fechada em um quarto com um cara que você acabou de conhecer? - me questionou com um sorriso malicioso.
- Na verdade... - comecei, mas ele me interrompeu.
- Brincadeira, juro que sou inofensivo - ele disse rindo.
- Ok, promete que não vai me matar, roubar ou estuprar? - brinquei.
- Matar definitivamente não, nem estuprar. Roubar... hmm, depende de que guitarra estamos falando. - ele respondeu. Eu ri.
- Enfim, contanto que você não me mate ou estupre, acho que não me incomodo em ficar fechada no meu quarto com você. - eu disse me levantando.
Ele me seguiu, entrou no quarto atrás de mim e sem cerimônia alguma, sentou na minha cama. Seus olhos esquadrinhavam tudo no ambiente, e pareciam estar absorvendo cada detalhe do lugar. Seu olhar se demorou no porta-retrato que eu colocara no criado-mudo na noite anterior. Mostrava um jovem com cabelos escuros caindo sobre parte de seu rosto em uma franja repicada, abraçado a uma garota com cabelos castanho-avermelhado preso em um coque mal-feito. Eu e meu irmão, Vince. Não éramos irmãos de sangue, ele na verdade era meu amigo, e como ele ficou orfão muito cedo, minha mãe meio que o ''adotou''.
- Namorado? - ele arriscou.
- Amigo, quase irmão. Ele deve estar chegando a Londres depois do natal, talvez para a festa de Ano Novo. - respondi soltando meu cabelo lentamente. Percebi que Rupert me olhava, e contrangida me virei pra ele.
- Que foi?
- Nada, nada.
Eu dei de ombros e peguei minha guitarra. Fui caminhando com a guitarra em direção a Rupert.
- Toma, cuida dela, porque como eu vou mexer no ármario, ela pode cair - disse ao me sentar ao seu lado e entregar o case a ele.
- Calma, vamos conversar um pouco antes de você começar seu trabalho - ele propôs gentilmente depois de pegar a guitarra.
- Como quiser... Sobre o que quer falar?
- Hmm, você! Por que se mudou para Londres?
- O último namorado da minha mãe era meio louco e ficava persegiundo ela depois que levou o fora, e isso me dava nos nervos. Então minha mãe se demitiu e resolveu que Londres era um bom lugar pra se morar.
- Mas você não queria vir?
- Bom, querer, eu até queria, mas não queria ter que deixar minha vida pra trás.
Ele ficou me olhando com uma expressão indecifrável, até que o barulho do celular dele chamou sua atenção.
- Acho que eu tenho que ir... - ele resmungou olhando o celular - me desculpe Holly, mesmo! - mas eu fiquei tão chateada com a repentina rejeição, que meramente assenti.
- Amanhã eu te levo na escola e tudo mais está bem? Me desculpe mesmo - repetiu angustiado. Suas mãos quentes tocaram meu rosto, e quando levantei o olhar, só tive tempo de sentir seus lábios em minha testa e ele já saía rapidamente do quarto, fechando a porta ao passar.
Fiquei olhando para a porta fechada por um tempo até me conformar que eu estava sozinha. Me deitei na cama e simplesmente dormi.
- Bom dia querida! Rupert me contou os planos de vocês para hoje, então achei melhor vir acordá-la.
- Ah, ok mãe - respondi sonolenta.
- Aliás, acho excelente que você já esteja arrumando amigos por aqui - acrescentou ela sorridente.
Eu assenti com um leve sorriso, enquanto procurava um prendedor de cabelo. Minha mãe saiu do quarto me dando um pouco de privacidade.
- Que diabos de roupa eu vou vestir? - falei sozinha enquanto abria a mala.
Depois de um tempo tentando achar uma roupa, eu me conformei com a minha velha calça jeans rasgada, uma camiseta de manga comprida e uma jaqueta de couro, que era o meu xodó. Peguei minhas coisas e fui em direção ao banheiro. O banheiro da pousada era pequeno, e eu tive que me espremer entre os várioas armários para conseguir ligar o secador de cabelo. E eu precisava mesmo secar o cabelo, porque sair de cabelo molhado em Londres, era o mesmo que pedir para ficar doente. Eu fiquei pronta as nove e meia, com os meus cabelos curtos presos em um rabo de cabalo.
Sentei em uma das mesas da sala com um prato de ovos mexidos e bacon, esperando que Rupert desse sinal de vida. Eram exatamente dez horas quando a porta da pousada abriu, e Rupert entrou ofegante de frio. Eu sorri pra ele, e seu sorriso em resposta veio quase imediatamente.
- Holly! - ele comprimentou acenando para mim enquanto pendurava o sobretudo nos cabides - Receio que os nossos planos para hoje tenham que ser remarcados, pois a neve está quase chegando aos meus joelhos! - e apontou para os pés, enxarcados.
- Ah, mas eu já estava pronta... - respondi fechando a cara. Ele sorriu e veio se sentar ao meu lado.
- E você ia só com essa jaqueta? Não esquece que aqui tem aquecedor. Lá fora deve estar uns 15º negativos. - e riu. Eu dei língua.
Sua beleza era ainda mais magnífica no frio, quando suas bochechas enrubreciam, e o cabelo úmido caia delicadamente sobre o rosto ligando-se assim, aos longos cílios negros.
- Se você não se importar, nós poderíamos ficar aqui na pousada mesmo, tocando guitarra ou qualquer outra coisa que você queira fazer - ele propôs ainda sorrindo pra mim.
- Na verdade, já que você vai furar comigo, eu acho que vou terminar de arrumar minhas malas, essas coisas. - eu respondi dando de ombros, fazendo com que sua expressão desmanchasse rapidamente - É claro que você está convidado a embarcar nessa missão - acrescentei com um pequeno sorriso - eu acrescentei com um pequeno sorriso - Eu até deixo você tocar minha guitarra.
- Você não fica preocupada de ficar fechada em um quarto com um cara que você acabou de conhecer? - me questionou com um sorriso malicioso.
- Na verdade... - comecei, mas ele me interrompeu.
- Brincadeira, juro que sou inofensivo - ele disse rindo.
- Ok, promete que não vai me matar, roubar ou estuprar? - brinquei.
- Matar definitivamente não, nem estuprar. Roubar... hmm, depende de que guitarra estamos falando. - ele respondeu. Eu ri.
- Enfim, contanto que você não me mate ou estupre, acho que não me incomodo em ficar fechada no meu quarto com você. - eu disse me levantando.
Ele me seguiu, entrou no quarto atrás de mim e sem cerimônia alguma, sentou na minha cama. Seus olhos esquadrinhavam tudo no ambiente, e pareciam estar absorvendo cada detalhe do lugar. Seu olhar se demorou no porta-retrato que eu colocara no criado-mudo na noite anterior. Mostrava um jovem com cabelos escuros caindo sobre parte de seu rosto em uma franja repicada, abraçado a uma garota com cabelos castanho-avermelhado preso em um coque mal-feito. Eu e meu irmão, Vince. Não éramos irmãos de sangue, ele na verdade era meu amigo, e como ele ficou orfão muito cedo, minha mãe meio que o ''adotou''.
- Namorado? - ele arriscou.
- Amigo, quase irmão. Ele deve estar chegando a Londres depois do natal, talvez para a festa de Ano Novo. - respondi soltando meu cabelo lentamente. Percebi que Rupert me olhava, e contrangida me virei pra ele.
- Que foi?
- Nada, nada.
Eu dei de ombros e peguei minha guitarra. Fui caminhando com a guitarra em direção a Rupert.
- Toma, cuida dela, porque como eu vou mexer no ármario, ela pode cair - disse ao me sentar ao seu lado e entregar o case a ele.
- Calma, vamos conversar um pouco antes de você começar seu trabalho - ele propôs gentilmente depois de pegar a guitarra.
- Como quiser... Sobre o que quer falar?
- Hmm, você! Por que se mudou para Londres?
- O último namorado da minha mãe era meio louco e ficava persegiundo ela depois que levou o fora, e isso me dava nos nervos. Então minha mãe se demitiu e resolveu que Londres era um bom lugar pra se morar.
- Mas você não queria vir?
- Bom, querer, eu até queria, mas não queria ter que deixar minha vida pra trás.
Ele ficou me olhando com uma expressão indecifrável, até que o barulho do celular dele chamou sua atenção.
- Acho que eu tenho que ir... - ele resmungou olhando o celular - me desculpe Holly, mesmo! - mas eu fiquei tão chateada com a repentina rejeição, que meramente assenti.
- Amanhã eu te levo na escola e tudo mais está bem? Me desculpe mesmo - repetiu angustiado. Suas mãos quentes tocaram meu rosto, e quando levantei o olhar, só tive tempo de sentir seus lábios em minha testa e ele já saía rapidamente do quarto, fechando a porta ao passar.
Fiquei olhando para a porta fechada por um tempo até me conformar que eu estava sozinha. Me deitei na cama e simplesmente dormi.
terça-feira, julho 27, 2010
Capítulo 1
Enfim eu pude avistar a tal pousada. Até que era bonitinha, meio clássica, meio moderna. A senhora que era amiga da minha mãe, se chamava Glory e era pequena, com uma cara engraçada. Ela veio nos receber com um grande sorriso no rosto.
- Sejam bem-vindas minhas amigas!
- Obrigada Sra. Mugley. - respondi sorrindo, enquanto minha mãe atacava a pobre mulher em um abraço apertado.
- Eu vou chamar o meu filho, Rupert, para ajudar a levar as coisas de vocês lá pra dentro. - me disse ela, assim que conseguiu se livrar do abraço de minha mãe. Eu assenti com um sorriso falso no rosto enquanto ia caminhando para o porta-malas pegar as malas, e ela entrou na casa para chamar o tal filho. "Com a minha sorte, deve ser um nerd bem chato" eu pensei rabugenta.
Foi quando eu o vi, caminhando traquilamente, com uma elegância natural, e um sorriso tão lindo que eu não acreditava que fosse real. Quando ele se adiantou para me ajudar a pegar as coisas que estavam no carro, eu pude sentir o aroma maravilhoso que emanava de sua pele clara. Após meu surto de futilidade, eu voltei minha atenção para a minha guitarra que estava logo embaixo da mala que o tal Rupert estava tirando.
- Você toca? - disse Rupert com um voz grave meio rouca acompanhando o meu olhar. Eu sorri sem graça e respondi.
- Toco, eu tinha uma banda lá na California - "Tagarela, tagarela" pensei com raiva.
- Eu também toco. Nós podíamos tocar juntos qualquer dia, não? - e ele deu seu sorriso perfeito - A propósito, meu nome é Rupert - e estendeu a mão para mim.
- Holly - eu disse apertando sua mão com um sorriso.
Graças a chegada de minha mãe, nosso pequeno diálogo teve que ser interrrompido. Rupert saiu na frente levando a minha mala e o meu amplificador, segiudo por minha mãe que levava sua própria mala e um edredon amarrado ao pescoço. Eu fiquei parada em frente ao porta-malas aberto, pensando que talvez londres não fosse tão ruim afinal.
Peguei minha guitarra e minha mochila e fui andando para dentro da casa. Era bem aconchegante lá dentro e eu me senti a vontade para seguir a voz da minha mãe que vinha do fim do corredor.
- Holly querida, o que faz aqui? - exclamou minha mãe surpresa ao me ver entrar no quarto - O seu quarto é o do lado, o filho da Glory está lá com as suas coisas! - Eu fiquei olhando estarrecida para minha mãe.
- Eu vou ter um quarto só pra mim? - perguntei incrédula.
- Claro meu amor, ou você vai querer dormir comigo? - perguntou ela risonha abrangendo com um amplo gesto sua cama de solteiro.
- Não, não, fico sozinha mesmo - respondi saindo do quanrto rindo.
Quando eu entrei no meu quarto, Rupert estava terminando de arrumar a cama.
- Este é o seu edredom, certo? - perguntou ele sorrindo ao me ver entrar no quarto.
- Ãã... - resmunguei vagamente. Seu sorriso era tão bonito, com os dentes retos e brancos que contrastavam delicadamente com sua boca avermelhada, que fiquei temporariamente sem fala.
- Holly? Está tudo bem? - ele perguntou novamente, o sorriso sumindo de seu rosto. Ao som de sua voz grave eu despertei de meus devaneios constrangida.
- Sim, estou bem, estou um pouco cansada, me desculpe. E sim, este é o meu edredon. Obrigada por arrumar a minha cama. Não era necessário. - respondi enquanto entrava no quarto e colocava minha guitarra apoiada no armário e minha mochila em cima de uma poltrona cafona que ficava no canto do quarto.
- Ah, sem problemas. Eu vou indo, precisando de qualquer coisa é só ligar para a recepção. - ele disse indicando o telefone com a cabeça.
- Ok, muito obrigada. - respondi observando ele saindo com um aceno de cabeço do quarto. Eu suspirei e me sentei na cama, quando de repente ouço a voz de Rupert novamente.
- E sobre nós tocarmos juntos? - ele disse voltando a entrar no quarto.
Apesar de lisonjeada com tamanha atenção, ainda mais vindo de um cara como Rupert, eu não menti quando disse que estava cansada. Ainda assim me virei sorrindo e disse.
- Podemos ver isso qualquer dia, afinal ainda estou de férias. Deixe só eu achar um escola para me matricular e você vai conhecer a melhor guitarrista do mundo desde de Joan Jett - e sorri, bastante surpresa qe ele também estivesse rindo da minha idiotice.
- Uau! Mal posso esperar. - ele brincou rindo - E sobre a escola... Bom, eu posso te levar a algumas escolas aqui por perto, te mostrar a cidade, sei lá - ele respondeu dando de ombros.
- Sério? Nossa, isso seria incrível! Podemos ir quando você quiser, é só me avisar! - respondi encantada com a perspectiva de não ter que andar sozinha por Londres.
- Podemos ir amanhã? - ele perguntou.
- Claro, amanhã seria ótimo. - respondi sorrindo. Ele não estava simplesmente sendo educado, ele queria mesmo me ajudar.
- Então até amanhã, Holly - ele disse ao sair do quarto, fechando a porta e me deixando imersa em pensamentos.
Eu fiquei deitada pensando no quanto o cabelo negro com cachos grandes emoldurava bem aquele rosto esculpido em mármore, me remetendo aos anjos gregorianos, e no quanto aquele sorriso me deixava sem palavras. E isso tudo sem falar nos olhos, de um azul surreal e uma profundeza que não podia ser posta em palavras. Devia ser bem tarde quando eu consegui de fato dormir. Sonhei com anjos que tinha giutarras ao invés de harpas, cabelos negros com a noite ao invés de dourados e sorrisos que tinham o brilho de uma magnitude que superava a do sol.
- Sejam bem-vindas minhas amigas!
- Obrigada Sra. Mugley. - respondi sorrindo, enquanto minha mãe atacava a pobre mulher em um abraço apertado.
- Eu vou chamar o meu filho, Rupert, para ajudar a levar as coisas de vocês lá pra dentro. - me disse ela, assim que conseguiu se livrar do abraço de minha mãe. Eu assenti com um sorriso falso no rosto enquanto ia caminhando para o porta-malas pegar as malas, e ela entrou na casa para chamar o tal filho. "Com a minha sorte, deve ser um nerd bem chato" eu pensei rabugenta.
Foi quando eu o vi, caminhando traquilamente, com uma elegância natural, e um sorriso tão lindo que eu não acreditava que fosse real. Quando ele se adiantou para me ajudar a pegar as coisas que estavam no carro, eu pude sentir o aroma maravilhoso que emanava de sua pele clara. Após meu surto de futilidade, eu voltei minha atenção para a minha guitarra que estava logo embaixo da mala que o tal Rupert estava tirando.
- Você toca? - disse Rupert com um voz grave meio rouca acompanhando o meu olhar. Eu sorri sem graça e respondi.
- Toco, eu tinha uma banda lá na California - "Tagarela, tagarela" pensei com raiva.
- Eu também toco. Nós podíamos tocar juntos qualquer dia, não? - e ele deu seu sorriso perfeito - A propósito, meu nome é Rupert - e estendeu a mão para mim.
- Holly - eu disse apertando sua mão com um sorriso.
Graças a chegada de minha mãe, nosso pequeno diálogo teve que ser interrrompido. Rupert saiu na frente levando a minha mala e o meu amplificador, segiudo por minha mãe que levava sua própria mala e um edredon amarrado ao pescoço. Eu fiquei parada em frente ao porta-malas aberto, pensando que talvez londres não fosse tão ruim afinal.
Peguei minha guitarra e minha mochila e fui andando para dentro da casa. Era bem aconchegante lá dentro e eu me senti a vontade para seguir a voz da minha mãe que vinha do fim do corredor.
- Holly querida, o que faz aqui? - exclamou minha mãe surpresa ao me ver entrar no quarto - O seu quarto é o do lado, o filho da Glory está lá com as suas coisas! - Eu fiquei olhando estarrecida para minha mãe.
- Eu vou ter um quarto só pra mim? - perguntei incrédula.
- Claro meu amor, ou você vai querer dormir comigo? - perguntou ela risonha abrangendo com um amplo gesto sua cama de solteiro.
- Não, não, fico sozinha mesmo - respondi saindo do quanrto rindo.
Quando eu entrei no meu quarto, Rupert estava terminando de arrumar a cama.
- Este é o seu edredom, certo? - perguntou ele sorrindo ao me ver entrar no quarto.
- Ãã... - resmunguei vagamente. Seu sorriso era tão bonito, com os dentes retos e brancos que contrastavam delicadamente com sua boca avermelhada, que fiquei temporariamente sem fala.
- Holly? Está tudo bem? - ele perguntou novamente, o sorriso sumindo de seu rosto. Ao som de sua voz grave eu despertei de meus devaneios constrangida.
- Sim, estou bem, estou um pouco cansada, me desculpe. E sim, este é o meu edredon. Obrigada por arrumar a minha cama. Não era necessário. - respondi enquanto entrava no quarto e colocava minha guitarra apoiada no armário e minha mochila em cima de uma poltrona cafona que ficava no canto do quarto.
- Ah, sem problemas. Eu vou indo, precisando de qualquer coisa é só ligar para a recepção. - ele disse indicando o telefone com a cabeça.
- Ok, muito obrigada. - respondi observando ele saindo com um aceno de cabeço do quarto. Eu suspirei e me sentei na cama, quando de repente ouço a voz de Rupert novamente.
- E sobre nós tocarmos juntos? - ele disse voltando a entrar no quarto.
Apesar de lisonjeada com tamanha atenção, ainda mais vindo de um cara como Rupert, eu não menti quando disse que estava cansada. Ainda assim me virei sorrindo e disse.
- Podemos ver isso qualquer dia, afinal ainda estou de férias. Deixe só eu achar um escola para me matricular e você vai conhecer a melhor guitarrista do mundo desde de Joan Jett - e sorri, bastante surpresa qe ele também estivesse rindo da minha idiotice.
- Uau! Mal posso esperar. - ele brincou rindo - E sobre a escola... Bom, eu posso te levar a algumas escolas aqui por perto, te mostrar a cidade, sei lá - ele respondeu dando de ombros.
- Sério? Nossa, isso seria incrível! Podemos ir quando você quiser, é só me avisar! - respondi encantada com a perspectiva de não ter que andar sozinha por Londres.
- Podemos ir amanhã? - ele perguntou.
- Claro, amanhã seria ótimo. - respondi sorrindo. Ele não estava simplesmente sendo educado, ele queria mesmo me ajudar.
- Então até amanhã, Holly - ele disse ao sair do quarto, fechando a porta e me deixando imersa em pensamentos.
Eu fiquei deitada pensando no quanto o cabelo negro com cachos grandes emoldurava bem aquele rosto esculpido em mármore, me remetendo aos anjos gregorianos, e no quanto aquele sorriso me deixava sem palavras. E isso tudo sem falar nos olhos, de um azul surreal e uma profundeza que não podia ser posta em palavras. Devia ser bem tarde quando eu consegui de fato dormir. Sonhei com anjos que tinha giutarras ao invés de harpas, cabelos negros com a noite ao invés de dourados e sorrisos que tinham o brilho de uma magnitude que superava a do sol.
Prólogo
29 de Novembro de 2007. Minha mãe finalmente decidiu que era hora de deixar a california e seu ex-namorado psicopata para trás. Apesar de concordar com a decisão dela, eu não queria deixar o meu mundo. Não era apenas da nossa bela casa perto da praia que eu estava me despedindo. Minha banda, que finalmente estava deslanchando, meus amigos, o sol quente, minha cidade. Tudo ficava para trás enquanto eu estava sentindo, talvez pela última vez, a brisa que vinha da praia, sentada no carro com a minha mãe. Estávamos a caminho do Aeroporto Internacional de San Francisco, prestes a enfrentar quatro exaustivas horas em um vôo na classe econômica, provavelmente sobrevivendo à base de barrinhas de cereal duras e banana até chegar a Londres.
Como eu imaginei, as horas no avião passaram tão devagar, que eu quase chorava só de pensar no que eu poderia estar fazendo ao invés de estar ali. Minha mãe conseguiu me convencer a ficar um temporada em um pousada de uma amiga dela, até as coisas se estabilizarem. Eu preferia ficar na casa dos meus avós, afinal, dividir quarto com a mãe aos 17 anos de idade não é muito agradável. E tinha outro aspecto desfavorável, minha avó morava em Kensington, e a tal pousada era na Fleet Street. Nada contra, mas tinha uma grande diferença poder morar num ilustre bairro nobre e em uma rua qualquer. Ah, e o meu nome é Holly, Holly James.
Como eu imaginei, as horas no avião passaram tão devagar, que eu quase chorava só de pensar no que eu poderia estar fazendo ao invés de estar ali. Minha mãe conseguiu me convencer a ficar um temporada em um pousada de uma amiga dela, até as coisas se estabilizarem. Eu preferia ficar na casa dos meus avós, afinal, dividir quarto com a mãe aos 17 anos de idade não é muito agradável. E tinha outro aspecto desfavorável, minha avó morava em Kensington, e a tal pousada era na Fleet Street. Nada contra, mas tinha uma grande diferença poder morar num ilustre bairro nobre e em uma rua qualquer. Ah, e o meu nome é Holly, Holly James.
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