terça-feira, julho 27, 2010

Capítulo 1

Enfim eu pude avistar a tal pousada. Até que era bonitinha, meio clássica, meio moderna. A senhora que era amiga da minha mãe, se chamava Glory e era pequena, com uma cara engraçada. Ela veio nos receber com um grande sorriso no rosto.
- Sejam bem-vindas minhas amigas!
- Obrigada Sra. Mugley. - respondi sorrindo, enquanto minha mãe atacava a pobre mulher em um abraço apertado.
- Eu vou chamar o meu filho, Rupert, para ajudar a levar as coisas de vocês lá pra dentro. - me disse ela, assim que conseguiu se livrar do abraço de minha mãe. Eu assenti com um sorriso falso no rosto enquanto ia caminhando para o porta-malas pegar as malas, e ela entrou na casa para chamar o tal filho. "Com a minha sorte, deve ser um nerd bem chato" eu pensei rabugenta.
Foi quando eu o vi, caminhando traquilamente, com uma elegância natural, e um sorriso tão lindo que eu não acreditava que fosse real. Quando ele se adiantou para me ajudar a pegar as coisas que estavam no carro, eu pude sentir o aroma maravilhoso que emanava de sua pele clara. Após meu surto de futilidade, eu voltei minha atenção para a minha guitarra que estava logo embaixo da mala que o tal Rupert estava tirando.
- Você toca? - disse Rupert com um voz grave meio rouca acompanhando o meu olhar. Eu sorri sem graça e respondi.
- Toco, eu tinha uma banda lá na California - "Tagarela, tagarela" pensei com raiva.
- Eu também toco. Nós podíamos tocar juntos qualquer dia, não? - e ele deu seu sorriso perfeito - A propósito, meu nome é Rupert - e estendeu a mão para mim.
- Holly - eu disse apertando sua mão com um sorriso.
Graças a chegada de minha mãe, nosso pequeno diálogo teve que ser interrrompido. Rupert saiu na frente levando a minha mala e o meu amplificador, segiudo por minha mãe que levava sua própria mala e um edredon amarrado ao pescoço. Eu fiquei parada em frente ao porta-malas aberto, pensando que talvez londres não fosse tão ruim afinal.
Peguei minha guitarra e minha mochila e fui andando para dentro da casa. Era bem aconchegante lá dentro e eu me senti a vontade para seguir a voz da minha mãe que vinha do fim do corredor.
- Holly querida, o que faz aqui? - exclamou minha mãe surpresa ao me ver entrar no quarto - O seu quarto é o do lado, o filho da Glory está lá com as suas coisas! - Eu fiquei olhando estarrecida para minha mãe.
- Eu vou ter um quarto só pra mim? - perguntei incrédula.
- Claro meu amor, ou você vai querer dormir comigo? - perguntou ela risonha abrangendo com um amplo gesto sua cama de solteiro.
- Não, não, fico sozinha mesmo - respondi saindo do quanrto rindo.
Quando eu entrei no meu quarto, Rupert estava terminando de arrumar a cama.
- Este é o seu edredom, certo? - perguntou ele sorrindo ao me ver entrar no quarto.
- Ãã... - resmunguei vagamente. Seu sorriso era tão bonito, com os dentes retos e brancos que contrastavam delicadamente com sua boca avermelhada, que fiquei temporariamente sem fala.
- Holly? Está tudo bem? - ele perguntou novamente, o sorriso sumindo de seu rosto. Ao som de sua voz grave eu despertei de meus devaneios constrangida.
- Sim, estou bem, estou um pouco cansada, me desculpe. E sim, este é o meu edredon. Obrigada por arrumar a minha cama. Não era necessário. - respondi enquanto entrava no quarto e colocava minha guitarra apoiada no armário e minha mochila em cima de uma poltrona cafona que ficava no canto do quarto.
- Ah, sem problemas. Eu vou indo, precisando de qualquer coisa é só ligar para a recepção. - ele disse indicando o telefone com a cabeça.
- Ok, muito obrigada. - respondi observando ele saindo com um aceno de cabeço do quarto. Eu suspirei e me sentei na cama, quando de repente ouço a voz de Rupert novamente.
- E sobre nós tocarmos juntos? - ele disse voltando a entrar no quarto.
Apesar de lisonjeada com tamanha atenção, ainda mais vindo de um cara como Rupert, eu não menti quando disse que estava cansada. Ainda assim me virei sorrindo e disse.
- Podemos ver isso qualquer dia, afinal ainda estou de férias. Deixe só eu achar um escola para me matricular e você vai conhecer a melhor guitarrista do mundo desde de Joan Jett - e sorri, bastante surpresa qe ele também estivesse rindo da minha idiotice.
- Uau! Mal posso esperar. - ele brincou rindo - E sobre a escola... Bom, eu posso te levar a algumas escolas aqui por perto, te mostrar a cidade, sei lá - ele respondeu dando de ombros.
- Sério? Nossa, isso seria incrível! Podemos ir quando você quiser, é só me avisar! - respondi encantada com a perspectiva de não ter que andar sozinha por Londres.
- Podemos ir amanhã? - ele perguntou.
- Claro, amanhã seria ótimo. - respondi sorrindo. Ele não estava simplesmente sendo educado, ele queria mesmo me ajudar.
- Então até amanhã, Holly - ele disse ao sair do quarto, fechando a porta e me deixando imersa em pensamentos.
Eu fiquei deitada pensando no quanto o cabelo negro com cachos grandes emoldurava bem aquele rosto esculpido em mármore, me remetendo aos anjos gregorianos, e no quanto aquele sorriso me deixava sem palavras. E isso tudo sem falar nos olhos, de um azul surreal e uma profundeza que não podia ser posta em palavras. Devia ser bem tarde quando eu consegui de fato dormir. Sonhei com anjos que tinha giutarras ao invés de harpas, cabelos negros com a noite ao invés de dourados e sorrisos que tinham o brilho de uma magnitude que superava a do sol.

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