Desta vez não tinha nada de angelical no meu sonho. Era uma estrada, que não parecia ter fim, cercada por uma densa floresta. Eu observava do alto, Rupert fugir de animais que não estavam visíveis, mas eles estavam ali. Eu podia senti-los, e não vê-los só tornava tudo mais assustador.Acordei sobressaltada com meu próprio grito.
- Foi só um sonho - murmurei para me acalmar. Mas eu estava nervosa demais, fora tudo tão real. O cheiro dos animais ainda invadia meu nariz, quando eu peguei o notebook na mochila e o liguei.
Animais Invisíveis Foi o que eu digitei na barra de busca. Entre vários resultados, uma chamou minha atenção.
Os animais que guardam a entrada e saída para o Mundo dos Mortos, conhecidos como 'Cães do Inferno' (Hell Hounds), são invisíveis para todos os que estão no mundo dos vivos, mas isso não impede que humanos possam sentir o cheiro acre de corpos apodrecidos que emana de sua boca sangrenta, ou pior, sentir seus dentes pontiagudos dilacerando sua pele [...]
Eu não conseguia respirar, minha cabeça estava girando. Decidi que para o meu próprio bem, essa noite não seria comentada com ninguém. Achei melhor tentar dormir denovo, então só coloquei o notebook no chão, fechei os olhos e mergulhei em um sono sem sonhos.
Na manhã segiunte eu acordei, e a noite anterior parecia bem menos assustadora, agora que o sol e o dia claro de Londres iluminavam meu quarto. Me levantei devagar, e fui em direção ao armário. Eu iria atrás de uma escola hoje, nem que fosse debaixo de neve, sozinha. Lembrando-me do comentário de Rupert sobre o frio, coloquei uma legging por baixo dos jeans, uma blusa de manga comprida com a jaqueta por cima e um sobretudo me protegendo. Arrumei minha mochila com o notebook dentro, alguns livros, meu iPod, celular e a carteira. As luvas já estavam no meu bolso quando alguém bateu na porta.
- Entra! - gritei em respotsa enquanto procurava um chapéu.
- Oi Holly! Já está pronta? Ou agora é você que vai furar comigo? - disse Rupert entrando com um sorriso debochado no quarto e se sentando na cama.
- Ah, oi Rupert - cumprimentei sem sorrir e nem olhar para ele - Bom, não ficou nada marcado para hoje, não é? - perguntei euquanto arrumava o chapéu.
- Tecnicamente não, mas eu disse que iria com você, certo?
- É - concordei - do mesmo modo que você disse que ia comigo ontem, e que disse que ficaria comigo à tarde... - resmunguei, me virando para ele. Quando vi aqueles olhos azuis confusos com a minha evidente frieza, me lembrei o porquê de não ter me virado antes. Seus olhos tinham um poder hipnótico sobre mim, e ele estava estonteante. Mas reparei que uma de suas mãos estava machucada.
- Eu tive que resolver um problema, e já me desculpei - me lembrou ele, agora com um quê de frieza na voz.
Ficamos nos olhando calados por um tempo imensurável, até que resolvi quebrar o silêncio.
- Mas você vai de verdade comigo hoje? - perguntei dando um sorriso.
- É claro que eu vou! Inclusive, te levo para comer depois, pode ser?
- Me parece bom - respondi sorrindo.
- Ah, e pode tirar esse sobretudo e essas luvas, hoje não está tão frio - ele acrescentou. Eu assenti ainda sorrindo. Ele esperou enquanto eu tirava o sobretudo e as luvas e jogava em cima da cama.
O passeio correu extremamente bem, e apesar de com frio e cansada, estava satisfeita com o trabalho da manhã. Eu havia me matriculado na escola de Rupert, e ele conseguiu me colocar na turma dele em todas as aulas. Demos um breve passeio pela escola, e então fomos almoçar juntos.
Londres era uma cidade magnífica, e Rupert parecia conhecer muito bem mesmo o lugar. Escolhemos em restaurante de comida indiana para almoçar. Quando já estávamos sentados juntos, esperando a comida, eu olhei melhor para o machucado na mão de Rupert. Com um sopro de desespero, me lembrei claramente do sonho da noite anterior. Um dos animais mordera Rupert, ele levantara cambaleante, um sangue escarlate escorrendo de sua mão. Seria coincidência?
- Como você machucou a sua mão? - perguntei em um tom um tanto inquisitivo.
Ele, para minha surpresa, não se alterou ou ficou nervoso, apenas sorriu e respondeu sereno:
- Nada, caí outro dia. Essa neve toda deixa as ruas muito escorregadias.
Ao dizer isso, Rupert me passou tanta segurança que eu nem questionei.
- Ah sim, mais cuidado então mocinho - respondi sorrindo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário