quinta-feira, dezembro 30, 2010

Cápitulo 13.

- Sabe - Dean começou a falar enquanto eu acendia um cigarro - eu acho que tem alguma coisa muito errada com o Rupert.
- Como assim?
- Ele não era do jeito que ele agiu ontem. Ele era um bom garoto sabe?
- É, ele não tem sido um bom garoto. Não mesmo.
- Eu sei, e isso está me deixando muito preocupado. E se ele tiver sido possuído? E se ele for um metamorfo e não o Rupert de verdade?
- Mas será que Jack não teria desconfiado?
- Jack já foi um ótimo caçador, mas está velho, isso não se pode negar.
- Bom, então que tal conversarmos com Jack a respeito disso?
- Faremos isso hoje. Mas antes - ele disse caminhando em minha direção e me abraçando pela cintura - você se importaria de ir buscar o me irmãozinho no aeroporto comigo?
- Claro que não, até porque eu não tenho muita escolha - eu respondi rindo e passando meus braços pelo seu pescoço - Qual o nome do seu irmãozinho mesmo?
- Sam. Daí assim que buscarmos ele, nós vamos até a casa do Jack. Está bom pra você?

***

Estar em um aeroporto me lembrava horrivelmente a perda de Vince, e Dean não demorou a perceber que eu estava desconfortável ali.
- O que houve? Você está pálida Holly...
- Ah, nada, não é nada. Você se importa se eu for tomar um café enquanto você espera o seu irmão?
- Não, eu fico aqui. Aliás, quer que eu vá com você?
- Não precisa, eu tenho que pensar um pouco... - eu me aproximei para um beijo rápido antes de sair caminhando dentre a bagunça do aeroporto.
Eu me lembrava de Vince com tanta clareza que ainda não conseguia assimilar a sua morte. Ele me defenderia de Rupert, cuidaria de mim como se eu fosse uma criança, porque era o que ele fazia melhor, cuidar de mim, me afastar de confusão. Meu celular vibrou no bolso da calça despertando-me de meus devaneios.
- Fala.
- Filha? Tá me ouvindo?
- Mãe! Claro que eu to te ouvindo, para de gritar!
- Ah minha filha, eu estava tão preocupada, e estou com tantas saudades! Como você está meu amor?
- Eu to bem mãe. Olha, eu tenho que desligar, mas eu te ligo mais tarde, pode ser?
- Mas por que já vai desligar?
- Depois eu te ligo, beijos e se cuida viu? - eu me despedi apressada ao ver que Dean se aproximava. Um cara alto, com ombros largos e os mesmos olhos de Dean caminhava atrás dele. "Deve ser o Sam" eu pensei.
- Hey eu sou Holly James, muito prazer - eu cumprimentei estendendo a mão quando eles chegaram a minha mesa.
- Sam Winchester - ele respondeu ao apertar minha mão.
- Então querem comer alguma coisa ou a gente já pode ir?
- Por mim podemos ir - eu respondi me levantando.
- É, podemos ir.

***

No carro Dean expôs a situação a Sam em detalhes, como Rupert tinha me tratado de modo estranho no Harvelle's e como eu tinha reagido. Sam não teve nenhum dúvida de que algo estava realmente errado com Rupert ao ouvir meu relato sobre nossa discussão na casa de Jack. Ele confirmou o que Dean tinha dito mais cedo, sobre Rupert ser um bom garoto.
- Espera, você disse que se chamava Holly James certo? - Sam perguntou de repente.
- Ah, sim. Por que?
- Você é a filha do Bill?
- Ah, suponho que sim.
- Dean, não é possível que você seja tão idiota assim.
- Do que você está... Filho da puta! Como eu não pensei nisso?
- Será que alguém pode me explicar o que diabos está acontecendo?
- Papai disse pra tomarmos cuidado e você...
- Tá, já entendi! Não precisa ficar me dando bronca não ok?
- Hey! Calem a boca! Dá pra me explicar o que tá acontecendo? - eu gritei exasperada.
Os dois me olharam assustados, e Sam começou a me explicar. Pelo que eu entendi, tinha alguém caçando filhos de caçadores, e eu estava na lista das presas mais fáceis, já que, supostamente, eu não sabia me defender. "Eles" - quem estava por trás disso - botaram um demônio pra me vigiar: Rupert. Claro que tudo isso eram só hipóteses, talvez Rupert fosse simplesmente um filho da puta.

***

-Já vai! - ouvimos a voz de Lita de dentro da casa. - Olha quem apareceu! Dean Winchester! Meu deus, como você cresceu Sam!
- E aí Lita, a trouxe de volta - Dean disse apontando pra mim.
- Holly, Holly, Holly... Rupert está furioso com você. Nunca vi aquele rapaz desse jeito.
- Bom, sobre isso temos muito coisa pra conversar. Jack está aí? - Sam interviu.
- Sim, está na sala de estar. Podem entrar rapazes.
A casa de Jack estava mais sombria hoje, as janelas todas fechadas, apenas algumas velas esporádicas ao longo do corredor. Dean segurou minha mão quando Rupert desceu a escada e me olhou com uma expressão de desprezo. Ele passou em direção a cozinha se dirigir a nós mais do que um olhar de profunda aversão. Continuamos andando até a porta indicada por Lita como sendo a sala de estar.
- Jack? Os meninos Winchesters estão aqui para vê-lo. - Lita anunciou ranzinza.
- Dean. Sam. Entrem e fechem a porta. Não quero essa velha enxerida escutando nossa conversa.
- Jack, me desculpe mas eu acho importante que a Lita ouça o que temos a dizer - eu argumentei baixinho, no fundo torcendo para que ele não me ouvisse.
- Você chegou Holly. Não tinha te visto por detrás desses dois. Está bem então, mas fechem a porta assim mesmo.
Sam começou a falar, e contou tudo que nós havíamos contado para ele no carro, e toda a história caçada aos filhos de caçadores, a suspeita de que Rupert estaria possuído e tudo o mais. Jack se sentiu ofendido dizendo que obviamente já o havia testado, mas Lita achou bem plausível a nossa história. Só tínhamos uma escolha: Matá-lo antes que ele me matasse. E eu era quem devia fazer isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário