quarta-feira, dezembro 15, 2010

Capítulo 12.

Por fim Dean me levou para comer alguma coisa em um restaurante de beira de estrada. Uma garçonete quarentona com os cabelos oxigenados presos em um rabo de cavalo veio nos atender mascando um chiclete.
- Então gatinho, o que vai querer? - ela perguntou dirigindo seu "charme" para Dean.
- Só uma cerveja - ele respondeu sorrindo para ela. - E você Holly?
- Um cheeseburguer e uma cerveja, obrigada.
Ela se retirou com um ar antipático, mas não antes de soltar um papel na mesa. Dean pegou o papel com curiosidade e depois de ler soltou uma risada.
- Olha isso! Bernadette 555-43323! Ela me deu o telefone dela! - ele explicou achando graça. Minha expressão se manteve impassível, demonstrando o meu desagrado por aquela velha assanhada estar flertando com o cara que estava me pagando uma bebida.
- Relaxa Holly, não fica com ciúme, ela não me interessa em nada ok? A não ser aquele cabelo loiro macio e sedoso. Sabe como é né, os caras preferem as loiras - ele continuou rindo. Eu dei um soco em seu braço agora rindo com ele. - Que violência!
- O que? Para de ser sensível, foi só um soquinho de nada! - eu exclamei rindo de sua reação.
- Ah, não mesmo! Onde você aprendeu a bater garota? Fala sério!
- Onde você aprendeu a ser tão dramático? - eu respondi e inclinei meu rosto para encarar Dean. Ele me olhava de um jeito estranho, e inclinou seu rosto para o meu. Seus lábios tocaram os meus e nos beijamos até que a garçonete veio entregar as cervejas e o meu sanduíche. Nos afastamos assustados, e ele se distanciou e ficou olhando para o outro lado enquanto eu tentava abrir a minha cerveja. Ao menor esforço que eu fiz para tirar a tampa da garrafa, o vidro estilhaçou em minhas mãos. Eu xinguei em voz baixa e fiquei olhando irritada para a sujeira que eu tinha feito.
- Hey, Bernadette certo? Você pode trazer mais uma cerveja e um pano por favor? - Dean chamou a garçonete sorrindo. - Que coisa hein Holly, é só eu me distrair e você já fica aí quebrando tudo em que põe as suas mãos de Superman...
- Ah, cala a boca - eu respondi rindo.

***

- Sabe, desculpa por aquilo lá dentro ok? - Dean começou quando nós já estávamos dentro do carro.
- Aquilo o que? Ficar flertando com a garçonete? - eu brinquei.
- Não, por... você sabe, ter te beijado e tal...
- Ãhn... Eu... Por que você está pedindo desculpa?
- Ah, pareceu que você ficou incomodada, então...
Eu bufei revirando os olhos. "Como ele pode pensar que eu não gostei?" eu pensei abismada com tal possibilidade.
- Olha Dean, eu não fiquei incomodada, isso é ridiculo! Eu fiquei um pouco embaraçada, porque você se virou e me deixou lá sozinha com a minha garrafa de cerveja quebrada...
Sua risada ecoou pela noite silenciosa e a luz da lua incidiu no vidro do carro de modo a deixar sua expressão quase angelical. Sua mão acariciava gentilmente meu rosto, seus olhos se fechando a medida que ele se aproximava de mim, ainda com o sorriso estampado. Ao menor toque de seus lábios nos meus, meus braços envolveram firmemente seu pescoço, puxando-o para mais perto. Dean se debruçou sobre mim e um rangido agudo denunciou o peso excessivo em cima do banco do carro. Suas mãos percorriam meu corpo e eu, ofegante, tirava sua jaqueta com certa dificuldade. Ele interrompeu nosso beijo tempo suficiente para tirar sua camisa, e em seguida estávamos, novamente, como um só corpo. Ofegante eu tentei me afastar dele um pouco, porque eu sentia que aquele banco não aguentaria muita coisa se continuássemos daquele jeito. Ele, para minha surpresa, se afastou assim que eu mostrei certa relutância.
- O que foi? - ele perguntou com a voz rouca.
- O banco tá rangendo, acho que ele pode quebrar - eu respondi sem graça de interromper por causa disso, mas era de fato algo que estava me preocupando. Ele riu e saindo de cima de mim, pulou para o banco de trás do carro.
- Esse aqui não range, eu juro.
Eu sorri e pulei para o banco de trás, caindo suavemente em seu colo. A excitação momentânea, que me deixara no momento em que nossos lábios se separaram, voltou assim que eu olhei aquele rosto, com um sorriso malicioso, mas ainda assim inocente; como um garotinho que foi pego fazendo algo que não devia por alguém que ele sabia que não iria castigá-lo. Eu me inclinei para beijá-lo novamente, suas mãos agora subindo por minhas costas levantando minha blusa.

***

- Não Lita, não se preocupa, eu volto amanhã a tarde. Eu estou bem. Bom, depois eu te explico, juro que quando chegar você pode me interrogar. Eu estou com... - eu me interrompi pensando se devia dizer com quem eu estava. Dean se ofereceu pra falar com ela com um gesto de cabeça, e eu passei o celular para ele.
- E aí Lita, aqui é o Dean Winchester. Você lembra de mim, certo? Isso, filho do John. Ele está bem, saudável como um cavalo... Então, eu levo a Holly aí amanhã, tá bom? - uma risada breve - Eu cuido dela, pode deixar... Passo aí sim, claro, eu só tenho que buscar o Sammy no aeroporto. Ok, ok, boa noite Lita.
Ele desligou o celular e me puxou para que eu me deitasse com ele na cama do hotel em que acabamos a noite. Eu me desvencilhei rindo, e apontei para a roupa molhada que eu ainda estava usando.
- Calma, eu não posso me deitar com essa roupa molhada. Você quer que eu pegue uma pneumonia?
- Hmmm, boa idéia, tira essa roupa, eu to quentinho aqui - ele respondeu rindo.
Quando eu sai de casa essa noite pensando em tomar alguma coisa pra afogar minhas mágoas, nunca imaginei que terminaria a noite assim: em um hotel barato, com um cara tão lindo e tão suficientemente feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário